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“Não tenho intenções de me recandidatar”

Presidente da União de Santarém diz que está na altura de passar a pasta

O actual presidente da União de Santarém vai sair em Outubro, mês em que o clube vai a votos. Nuno Cardigos diz que é altura de dar a vez a outros, mas garante que a actual direcção vai apoiar uma lista onde estarão alguns dos actuais directores.

Edição de 14.07.2004 | Desporto
Nuno Cardigos não se vai recandidatar à presidência da União de Santarém. O responsável máximo pelo clube nas duas últimas épocas diz que está na altura de dar a vez a outro e assume a sua saída em Outubro, quando se realizarem eleições para os órgãos sociais do clube escalabitano.O cansaço motivado pelos sucessivos problemas com que o clube se deparou ao longo dos últimos tempos é uma das razões apresentadas, aliada ao desgaste familiar que representa sempre estar à frente de uma colectividade. “Já estou há quatro anos no clube, dois no futebol juvenil e dois como presidente, e chegou o momento de passar a pasta”.No entanto, a actual direcção vai apoiar uma lista que se canditará às eleições de Outubro para haver continuidade da actual gestão. Alguns dos actuais directores irão integrar essa lista, mas o nome que vai encabeçar a lista deverá ser uma novidade. Nuno Cardigos defende a formação de uma direcção forte e unida, evitando a criação de comissões administrativas como as que o clube passou na década de 90, que, na sua opinião, foram o grande problema do União.Um dos maiores problemas que o actual presidente unionista enfrentou no clube foi o das dívidas ao fisco que se encontram ainda parcialmente por liquidar. O clube contestou o montante de 126 mil euros de Imposto sobre os Rendimentos de Pessoas Colectivas (IRC), e o processo está nesta altura a ser decido em tribunal tributário.No entanto, o clube já está a sofrer as consequências. Dos 62 mil euros do apoio ao associativismo relativo à época passada dado pela Câmara de Santarém o clube só recebeu cerca de 27 mil, uma vez que os restantes 35 mil euros foram penhorados pelas finanças ao abrigo da dívida de IRC.Além disso, a União de Santarém teve de pagar no final de 2002 mais 10.500 euros relativos a Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA). Em ambos os casos, as verbas foram apuradas nos exercícios de 1998 a 2000, ou seja, numa altura em que os actuais directores não estavam no clube.“Os métodos indiciários foram utilizados como se fôssemos uma empresa normal. Nós alegamos que temos uma parte pedagógica, com cerca de 150 miúdos a praticar futebol e não temos capacidade financeira para liquidar esse montante. Nem o nosso orçamento anual chega a esse valor. É uma verba que não corresponde à realidade”, explica Nuno Cardigos, que espera que estes argumentos sejam considerados pelo tribunal.A penhora das receitas fez com que o clube se atrasasse no pagamento aos atletas. Os jogadores seniores não receberam o último mês da época passada, mas Cardigos garante que todos vão receber. “No primeiro ano que aqui cheguei, para contratarmos jogadores foi uma carga de trabalhos. Estavam todos de pé atrás porque o clube ficava sempre a dever dinheiro. Agora a situação é diferente e estamos a ver se conseguimos pagar até final da semana”, referiu, salientando a “grande compreensão dos jogadores, que souberam esperar”.Como um azar nunca vem só, o clube ficou também sem o valor do aluguer mensal de um espaço no campo Chã das Padeiras a uma operadora de telemóveis que lá tem instalada uma antena retransmissora. O proprietário avançou para tribunal alegando que o clube não podia alugar o que não era seu e o tribunal deu-lhe razão.Nuno Cardigos espera agora que a câmara avance com a expropriação do campo e pague o valor em causa ao proprietário para que depois possa ser feito um protocolo para que a União possa explorar a publicidade no campo.A venda do autocarro à autarquia é um dos bons negócios que se orgulha de ter feito. Com o dinheiro do autocarro o clube pagou à Associação de Futebol de Santarém uma dívida que ascendia a 18 mil euros.Por cumprir está uma promessa da primeira hora: a apresentação da auditoria feita às contas do clube. Sem receios, o presidente assume que ainda faltam pagar 4.500 euros, verba que ainda não foi paga porque têm havido outras prioridades. No entanto, é intenção da direcção pagar até final do mandato, tudo dependendo da liquidez financeira e dos apoios que a direcção conseguir apurar.

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