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Um presidente católico e independente

Jorge Ferreira estreou-se como autarca aos 61 anos
Edição de 14.07.2004 | O poder local aqui tão perto
O presidente da Junta de Freguesia de Alhandra chegou e venceu. Depois de 40 anos de trabalho numa multinacional inglesa de logística, e já com 61 anos, Jorge Ferreira concorreu pela primeira vez a uma autarquia e ganhou. O autarca é independente, apesar de ser simpatizante do PS. Jorge Ferreira, 64 anos, garante que não quis vincular-se ao partido porque quer ter liberdade de acção. Sente que no partido há pessoas com mentalidades “tacanhas” em relação aos independentes, mas prefere enfrentá-los a juntar-se a eles.O rosto da junta de Alhandra não concorda com a defesa que o PS faz da legalização do aborto. “Sou contra. Sou católico e defendo o direito à vida”.O presidente encontra na Igreja um espaço de reflexão e partilha de afectos. Não acredita em todos os padres, mas tem uma fé enorme e segue a mensagem de Deus. “Estou-me borrifando para os padres, não sei se vão para o céu ou para o inferno”, diz.Quanto a Sousa Martins, admira a personalidade “ímpar” do médico, do cientista e do benfeitor, mas era incapaz de fazer uma promessa porque não o classifica como santo. “Nem sei se ele era crente”, explica.Jorge Ferreira nasceu na Parede (Cascais), mas vive em Alhandra desde os oito anos. O autarca tem três filhos e um casal de netos, com 18 meses e cinco anos, que classifica como: “os mais bonitos do mundo”. O líder da freguesia dedica o pouco tempo livre que tem à família e defende que o conceito de família deve ser reforçado. “É o pilar do desenvolvimento harmonioso de qualquer sociedade”. O presidente gosta de viajar e, sempre que pode, rompe fronteiras na descoberta de novos povos de novas realidades. Adorou a Itália e gostou do Brasil e de Israel. Este ano, tenciona passar uns dias em Barcelona, mas é em Arganil, numa casa de herança, que recarrega baterias num ambiente paradisíaco. “Gosto de jardinar e de mexer na terra”.Prefere a pesca à caça, mas confessa que há três anos que não utiliza as canas e já deixou caducar a licença de pescador.É simpatizante do Sporting, mas futebol e touradas bastam 15 minutos de cada e se for mais cansa-se.Jorge Ferreira não utiliza a internet com frequência, mas está familiarizado com o computador desde os tempos em que ainda trabalhava na área da logística. Gosta mais de folhear os livros que lhe reforçam o conhecimento sobre os povos e as nações deste e de outros tempos.Depois de dobrar a primeira metade do mandato ainda não se arrependeu da sua opção. Quem o conhece diz que é um homem empenhado, dedicado e determinado nos seus objectivos. O líder da freguesia reconhece que a sua pior qualidade é a falta de memória e, por isso, o bloco de apontamentos acompanha-o em cada momento.O dia do autarca não começa muito cedo porque a noite é quase sempre longa com reuniões e Jorge Ferreira não dispensa as oito horas de sono.De manhã, antes de ir para a junta, passa por alguns locais onde decorrem as obras, depois despacha o expediente e, quando a secretária está arrumada é altura de sair para encontros com vereadores, técnicos e responsáveis pelas obras em curso.A tarde é para atendimento ao público e aos fornecedores da junta. Quando é preciso, a rotina interrompe-se par acudir a situações mais urgentes.Apesar de se considerar bem remunerado (leva para casa cerca de 1 450 euros mensais), o autarca considera que o prazer de ajudar o próximo é a maior motivação que o move. Jorge Ferreira já foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alhandra e foi um dos responsáveis pela recuperação e requalificação da instituição que presta apoio social a dezenas de idosos e doentes em fase terminal.O presidente da Junta de Freguesia de Alhandra confessa que é um homem com pouca alegria e que deveria ser mais aberto ao exterior. Jorge Ferreira lamenta a sua ingenuidade porque o acreditar em tudo o que lhe dizem já lhe valeu alguns dissabores. O autarca é um homem conservador e continua a usar a “palavra de honra” que garante valer tanto como uma escritura.Nelson Silva Lopes

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