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Ministério da Agricultura em Santarém?

A nossa cidade dispõe de excelentes condições, tanto no planalto como no CNEMA, para receber o Ministério da Agricultura. Todavia, a Estação Zootécnica Nacional (EZN), no Vale de Santarém, não se fica atrás.

Edição de 14.07.2004 | Opinião
A “Região do Ribatejo”, no seu sentido mais amplo, responde por, aproximadamente, 30% do produto agrícola bruto de Portugal. Não é de estranhar que, à luz de critérios descentralizados de governação, Santana Lopes tenha apontado Santarém para futura sede do Ministério da Agricultura.A nossa cidade dispõe de excelentes condições, tanto no planalto como no CNEMA, para receber o Ministério da Agricultura. Todavia, a Estação Zootécnica Nacional (EZN), no Vale de Santarém, não se fica atrás. Bastará, para tanto, lavar a cara às amplas instalações já ali existentes. Curiosamente, Vaz Portugal, “director mítico” da EZN, defendeu, enquanto titular da pasta da Agricultura, em 1978-1979, “o combate à dispersão de meios” e a eventual transferência do respectivo ministério para o campo da Feira do Ribatejo. Nessa altura, caiu-lhe o Carmo e a Trindade. Acresce que a curta duração do seu mandato impediu-o de concretizar novas políticas de ordenamento. As alterações então preconizadas resultaram, em larga medida, de uma “mega-audição” do sector primário. “Todo o país pode dizer o que se deve produzir em cada região para que o nosso território seja mais organizado no domínio agrícola” — explicou o ex-ministro Vaz Portugal quando introduziu uma “percursora audiência de interessados a nível na-cional, dado que o país não é só Lisboa”.Em 25 anos muita coisa mudou. O Ministério da Agricultura perdeu relevância. O país virou costas ao campo. Esqueceu-se das aldeias. Deixou as florestas abandonadas à sua sorte. Escravizou os rios, transformando-os em retretes colectivas. O país é cada vez mais Lisboa e cada vez menos Ribatejo!Por mais utópico que seja o lema idealista da descentralização, facilmente recruta soldados para as suas colunas. Estou entre eles. Sei que o Ministério da Agricultura, reduzida a importância das suas direcções regionais, é quase uma Secretaria de Estado, apesar do potencial humano centrado em Lisboa.Feito assim o retrato, a hipotética transferência do Ministério da Agricultura para Santarém deverá ser equacionada não numa perspectiva física e territorial, mas numa dimensão humana, racional e percursora. Vaz Portugal tinha razão: o país é mais do que Lisboa!Encontrada a fórmula para o problema humano que a mobilidade de recursos implica, venham lá o Ministério da Agricultura e a Faculdade de Medicina... Veterinária. Para começar, não está mau. Há espaço para tudo em Santarém!Post ScriptumTestemunho de gratidãoFerro Rodrigues saiu de cena, por antecipação, revelando grande amor ao PS. Quanto mais cedo vier o seu sucessor, melhor para o partido e para o país. Foi um ministro excepcional e deu a cara na mais difícil batalha do Partido Socialista, depois de António Guterres ter jogado a toalha ao chão, a meio do “campeonato dos fundo comunitários”. Aqueles que então ficaram abrigados da “tempestade” têm agora o palco inteiro à sua espera. Obrigado, Ferro Rodrigues!PS DistritalA recente demissão do Secretário-Geral do Partido Socialista, Ferro Rodrigues, em nada deve afectar a respectiva liderança regional, tanto mais que esta já tem em curso a árdua preparação da batalha autárquica de 2005. Por outro lado, Paulo Fonseca tem-se afirmado, em todas as situações, um líder à altura da intransigente defesa dos interesses do distrito de Santarém. De resto, até na sua mais complexa “luta autárquica” – no que toca ao município escalabitano – tem revelado sensibilidade e determinação. Se conseguir manter o PS unido e evitar uma “lista independente”, o “castelo socialista” de Santarém não será tomado pelas forças adversárias!Matar cachorro a gritoA eurodeputada Ana Gomes “atirou-se” ao Chefe de Estado com a mesma fúria de São Tiago em relação aos mouros. Entre outros mimos, declarou-se “profundamente arrependida” de ter votado em Jorge Sampaio devido à opção presidencial pela continuidade do actual mandato parlamentar. De seguida, admitiu que a Democracia está em causa mas, de pronto, tranquilizou os portugueses: “Eu estou aqui para a defender!”.Ouvi e fiquei pasmado. Como é que pode uma antiga diplomata vir à estacada com um fluxo verbal que envergonharia qualquer “criado de servir” do Palácio das Necessidades? Como pode uma eurodeputada revelar tamanha ausência de tacto e falta de capacidade de encaixe político? Como pode apontar o dedo ao Presidente e não o fazer contra si? Já se deu conta da figura que faz e dos votos que retira ao PS cada vez que intervém num debate político? No último “frente-a-frente” com Pires de Lima, na Sic Notícias, foi um desastre. Mereceu a mais funda compaixão. À pergunta: o que faria o PS no Governo (havendo eleições antecipadas) relativamente ao défice? — Ana Gomes retorquiu: faria o mesmo, temperava o défice! (sic).Valeu ao Partido Socialista o sentido de Estado de Jorge Coelho e de João Soares, bem como a excelente prestação televisiva de António José Seguro, na RTP1, logo após a divulgação da escolha do Presidente da República.Para ser dirigente nacional de um partido político, não basta ter abraçado Filipe Gonzalez ou Xanana Gusmão. Importa “saber renunciar ao que está perto para alcançar o que está longe”!Os nossos “familiares brasileiros” (afinal, somos todos parentes) dizem que o destino das pessoas sem futuro é “matar cachorro a grito”. A “fauna canina” da Europa que se cuide!Santarém, 10-11 de Julho de 2004.

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