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Contra os tiros no escuro

Sousa Gomes explica pouco empenhamento na criação de uma área metropolitana do Ribatejo
Edição de 14.07.2004 | Política
Durante o processo de criação das comunidades urbanas, o PS tomou uma posição a favor da criação de uma área metropolitana do Ribatejo. Mas da sua parte, enquanto presidente da Câmara de Almeirim e da então Associação de Municípios da Lezíria do Tejo, nunca transpareceu um grande empenhamento nessa solução.A minha posição mantém-se. Constituir comunidades urbanas ou áreas metropolitanas baseado na vontade ad-hoc deste ou daquele autarca não me parece correcto. Os seus limites geográficos deviam corresponder a determinados requisitos que a lei devia conter.Quais?Nomeadamente identidade cultural, económica e social. Não podemos de maneira nenhuma pensar assim: o concelho “A” fica na Lezíria, no Médio Tejo ou vai para Castelo Branco conforme o desejo do presidente da câmara…Mas foi um pouco isso que aconteceu.E ainda está a acontecer. Fiquei um bocado fechado na concha da Lezíria porque aí eu sabia que tinha esses requisitos.Ou seja, não quis dar um tiro no escuro?Exactamente. E ainda hoje o digo aos meus colegas do Médio Tejo, que entre si ainda estão a discutir se se devem juntar à Lezíria ou a Castelo Branco: definam o que é que querem e depois de estarem a falar a uma voz nós conversamos sobre o eventual alargamento das nossas fronteiras. Não estou nada interessado em que a Lezíria entre numa discussão que não é sua.Foi essa a sua justificação perante o seu partido?Quando o PS veio defender a fusão da Lezíria e Médio Tejo numa área metropolitana, eu respondi-lhes: prefiro uma boa comunidade urbana a uma má área metropolitana.Falou mais alto o autarca do que o militante do PS.Não tenham dúvidas. Sou militante do PS e defendo as suas ideias, mas quando elas colidem com os interesses do meu concelho ou da minha região, aí discordo. Tenho muita pena mas não alinho em carreirismos impensados“Miguel Relvas não é coveiro do Ribatejo”O ex-secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas, teve um papel preponderante nesse processo e há mesmo quem lhe chame o “coveiro do Ribatejo”, por ter possibilitado a divisão do distrito. É uma acusação injusta?É. Considero que Miguel Relvas não é coveiro do Ribatejo, porque o Ribatejo continua a existir como unidade cultural, embora com fronteiras indefinidas. Mas também digo que tive alguma esperança nesta legislação e não sei se o mesmo Miguel Relvas não vai ser o coveiro das comunidades urbanas e das áreas metropolitanas.Porquê?Porque as comunidades urbanas e áreas metropolitanas só o serão na realidade se tiverem transferência de meios e competências por parte da administração central. E no momento em que entrávamos na negociação Miguel Relvas foi-se embora.Ficou desiludido?Sim e até, posso dizê-lo, com louvor para ele. Porque criou algumas expectativas na área das autarquias. Agora que começávamos a ter algum conteúdo, foi-se embora. E nenhum de nós sabe qual é o futuro disto.A mudança de Governo pode influenciar negativamente esse processo?Não creio que vá influenciar negativamente, mas vai influenciar. É preciso agarrar nas comunidades urbanas e áreas metropolitanas que estão feitas e fazê-las evoluir para a regionalização que todos querem, quer autarcas do PS como do PSD.Vários camaradas seus manifestaram a esperança que daqui a cinco anos, quando as fronteiras das comunidades urbanas puderem ser revistas, a área metropolitana do Ribatejo, integrando a esmagadora maioria dos concelhos do distrito de Santarém, pode ser uma realidade. Acredita nisso?Acredito que possa acontecer. Cinco anos são um período suficiente para a consolidação deste processo e para que nessa altura se pense no alargamento da região. Será preciso que mudem alguns dos protagonistas actualmente em cena?Não. É preciso é consolidar ideias e cinco anos são suficientes para isso.Quando falamos de protagonistas, referimo-nos a posições de alguns autarcas do norte do distrito acusados de alguma incoerência. Designadamente quando argumentaram que não fazia sentido o Médio Tejo juntar-se com a Lezíria, por serem regiões distintas do ponto de vista social, cultural e económico, e depois abrem as portas do Médio Tejo a um alargamento de fronteiras até Castelo Branco. Como viu essa posição?Acho que é completamente incoerente essa maneira de pensar. Mas tal como há autarcas do Médio Tejo que defendem a aproximação a Castelo Branco, há outros que defendem a junção com a Lezíria. Por isso é que lhes disse para resolverem os problemas entre eles, e depois conversamos.

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