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Lixeira a céu aberto em Minde

Lixeira a céu aberto em Minde

Moradores dizem que junta de freguesia é a primeira prevaricadora

A rua Curral do Pau, em Minde, é uma autêntica lixeira a céu aberto. Papelões, arames, latas de tinta, madeiras, restos de árvores e até sofás e portas vão ali parar.

Edição de 13.07.2004 | Sociedade
“Tudo o que houver de lixo vem aqui parar”. O desabafo é de José Gomes, habitante de Minde, que deita um olhar desolado à rua Curral de Pau. Uma rua em terra batida, de um lado com casas de sonho e moradores ilustres, do outro com todo o tipo de desperdícios domésticos.Uma autêntica lixeira a céu aberto que ninguém controla e que os prevaricadores aproveitam. Tudo começou quando, há alguns anos, o genro de José Gomes, actualmente emigrado na Holanda, autorizou a deposição de entulho no terreno onde estava a construir uma vivenda.O problema é que além do entulho tudo começou a ser ali depositado. No terreno do genro de José Gomes e em toda a berma da estrada. Um olhar pela íngreme encosta detecta papelões, bocados de madeiras, restos de árvores, latas de tinta e de outros produtos, arames e outros lixos.Nos últimos tempos, o lixo tem sido “tapado” pelas descargas de pedras e terra provenientes das obras de construção civil das redondezas. “Até frigoríficos estão aqui debaixo”, diz outro morador apontando para a encosta. Pela rua abaixo, no espaço de cem metros, vão-se acumulando montes de entulho que, mais tarde, irão servir para enterrar mais desperdícios.No dia da reportagem, O MIRANTE testemunhou duas descargas de entulho. Ou melhor, uma, já que o motorista do segundo camião - proveniente de obras de uma empresa de construção civil de uma freguesia vizinha – não descarregou enquanto a equipa de reportagem se manteve no local. Não quis ser fotografado nem dar explicações pelo facto de a camioneta trazer mais alguns “apetrechos” para além do dito entulho. “Eu não sei de nada, isso é com o meu patrão”, disse quando questionado, ao mesmo tempo que tentava tapar a objectiva da máquina fotográfica, com a justificação de que o veículo era privado e estava a descarregar numa propriedade também privada. Mas o jornalista de O MIRANTE estava na via pública.Até agora os responsáveis pelas descargas têm ficado impunes. Porque, como afirmou o presidente da Junta de Freguesia de Minde, não há meios para se controlar tudo. “Sei que há ali um terreno cujo proprietário autorizou a colocação de entulho, a própria junta vai lá depositar algum, terras, ramos de árvores e coisas desse género”, disse ao nosso jornal Luís Pires, que se mostrou surpreendido pela existência da lixeira. “Não sabia que isso estava assim”.Surpreendido ficou também o presidente da Câmara de Alcanena. Confrontado com a informação, Luís Azevedo mostrou-se indignado e prometeu averiguar a situação. Quanto mais não seja na altura em que o Plano de Pormenor Municipal (PDM) daquela zona for alvo de revisão.Isto porque a junta de freguesia, que tem ali um terreno de cem mil metros quadrados, pretende fazer no local um loteamento habitacional, tendo já enviado à câmara uma proposta que visa “esticar” o PDM até ao limite da freguesia que confina com Porto de Mós. Enquanto não vem a desejada alteração do PDM, a junta de freguesia promete pôr no local placas que proíbam o vazamento de lixo. Uma medida que pode não dar em nada uma vez que o espaço não é vigiado. Uma segunda visita ao local, no espaço de 24 horas, deu para perceber que mais lixo havia ali sido depositado, nomeadamente um sofá e uma porta de madeira.“Isto aqui não tem descanso, os camiões das empresas da freguesia e de fora fazem descargas todos os dias sem que ninguém os chateie”, diz José Gomes, acusando a própria junta de ser a primeira a prevaricar.Apontando para um monte de ramos na encosta, já meio tapados, o morador questiona – “acha que isto é entulho? E são coisas trazidas pelos homens da junta, depois de fazerem a limpeza às árvores. É uma vergonha”.Margarida Cabeleira
Lixeira a céu aberto em Minde

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