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População unida contra o fogo

Água das Casas tem sistema inovador de combate a incêndios

Os moradores de Água das Casas, Abrantes, decidiram pôr mãos à obra e construíram um sistema de combate aos fogos florestais. A intenção foi criar condições para uma primeira intervenção antes dos bombeiros, que demoram quase uma hora para chegar à aldeia.

Edição de 13.07.2004 | Sociedade
Isolada junto à albufeira de Castelo de Bode, a aldeia de Água das Casas, na freguesia abrantina de Fontes, organizou o seu próprio sistema de primeira intervenção no combate a incêndios. A ideia partiu de um grupo de moradores, foi apoiada pela Associação Desportiva e Cultural local e já foi testada pelos Bombeiros Municipais de Abrantes.O sistema, considerado inovador, consiste na utilização dos tanques de rega particulares e a captação de água através de tubagens próprias e bombas adquiridas para o efeito. Foram também colocadas duas bocas de incêndio em locais estratégicos e toda a zona urbana da aldeia está protegida. O investimento rondou os 12.500 euros e contou com o esforço das cerca de cinco dezenas de habitantes de Água das Casas.A ideia de arranjar meios próprios de protecção para a aldeia surgiu o ano passado com os grandes incêndios de Verão. O fogo vindo de Vila do Rei espreitou do cimo do monte e aproximou-se rapidamente das habitações. O primeiro fim-de-semana de Agosto de 2003 ficará na memória de todos.Na altura, Abílio Alves, um dos moradores defendeu a criação de um sistema que protegesse a povoação pelo menos até à chegada dos bombeiros. De Abrantes a Água das Casas os bombeiros de Abrantes demoram uma hora e os do Sardoal pouco menos.A aldeia fica à beira da albufeira de Castelo do Bode e é irrigada por uma nascente que desce da montanha e todos os habitantes têm direito a regar as suas hortas em determinados dias e horas. “Já poucos sabem fazer a divisão da água”, diz Abílio Alves um dos grandes impulsionadores do sistema de protecção de incêndios. A primeira divisão era por quatro e foi-se desmultiplicando à medida que a aldeia crescia. “Hoje já há muitas hortas abandonadas, mas o esquema continua a ser o mesmo”. Tanques particulares e água é o que não falta na povoação, mas era necessário arranjar um sistema que pudesse ser accionado rapidamente. Foi neste projecto que Abílio Alves e outros habitantes trabalharam durante um ano. “Com uma carta topográfica, vimos os desníveis, a localização dos tanques e os metros de tubagem que eram necessários. Depois pegámos em todos esses elementos e fomos consultar técnicos que nos ajudassem a calcular a pressão e as bombas que era preciso comprar”, conta o morador, que só sossegou quando os bombeiros testaram e aprovaram o sistema.Pelas canalizações instaladas os tanques abastecem-se uns aos outros, sendo a água bombeada de um deles para proteger um dos lados da aldeia. Para o outro, aproveitando os recursos naturais, foram instaladas duas bocas de incêndio com três saídas. “Em caso de necessidade, em duas delas ligamos as nossas mangueiras a outra saída fica para os bombeiros”, diz o morador.O investimento foi suportado pela associação local, que “ficou desfalcada”, com alguma ajuda da Junta de Freguesia de Fontes: “Tínhamos este dinheiro e conseguimos pagar tudo. Agora a câmara diz que nos vai financiar e é bom porque a associação não pode ficar sem dinheiro”, declara Abílio Alves recordando a promessa do presidente da câmara, Nelson Carvalho (PS), feita aquando da inauguração simbólica do sistema, no primeiro fim-de-semana de Julho.“Era bom sinal que nunca fosse preciso pôr tudo isto a funcionar, mas sentimo-nos mais protegidos principalmente depois de ser testado pelos bombeiros”, conclui Abílio AlvesMargarida Trincão

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