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Inclusão de famílias ciganas sem resposta

Denuncia o presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Santarém

O presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Santarém lamenta a ausência de respostas institucionais para a inclusão das crianças e famílias de etnia cigana que vivem em condições precárias no concelho.

Edição de 14.07.2004 | Sociedade
A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Santarém tem sentido enorme dificuldade em trabalhar os casos de crianças de etnia cigana que lhe chegam, por ausência de projectos que permitam apoiar essas famílias. Quem o diz é Eliseu Raimundo, presidente da comissão, no balanço da actividade dessa estrutura no primeiro semestre deste ano.Segundo disse à Agência Lusa, a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém (ADSCS), uma das instituições parceiras da CPCJ, tem-se multiplicado em contactos para encontrar um projecto que permita inserir uma dezena de famílias ciganas que residem há vários anos no concelho.Eliseu Raimundo, que preside igualmente à ADSCS, disse à Lusa que a associação tem promovido várias reuniões, tendo inclusivamente ido à Assembleia da República para tentar sensibilizar os deputados para a necessidade de projectos que atendam à situação das crianças e das famílias ciganas que vivem em acampamentos precários, e estando actualmente a desenvolver contactos com a Rede Europeia Anti-Pobreza.Estas famílias não têm direito ao Rendimento Social de Inserção (RSI), por não cumprirem as exigências colocadas pelo programa, pelo que as crianças acabam por ser as principais vítimas de uma situação familiar precária, afirmou.Segundo Eliseu Raimundo, há uma dezena de famílias, todas com muitas crianças, que residem em acampamentos, em três locais distintos do concelho, com fortes carências, que acabam por recorrer à mendicidade, prática para a qual arrastam as crianças.Como exemplo, citou o caso de duas famílias em que um dos homens é toxicodependente, encontrando-se a braços com a justiça, e em que as duas mulheres (cunhadas), ambas com muitos filhos, vivem da mendicidade, estando habitualmente, com as crianças, junto a um dos hipermercados da cidade.O que acontece, afirmou, é que essas famílias, algumas a residir há muitos anos no concelho, acabam por ser arrastadas de uns locais para os outros, o que tem ainda como consequência o abandono da escola por parte dos filhos.O insucesso na intervenção junto destas famílias, tentada tanto pela CPCJ como pelo Gabinete de Apoio ao Imigrante e às Minorias Étnicas criado pela Câmara Municipal de Santarém, tem levado os parceiros da comissão a procurarem um projecto alternativo, o que, disse, não tem sido fácil.O projecto deveria, no seu entender, passar pela criação de um espaço organizado - que permita a esta população continuar a viver em acampamento mas com condições de dignidade mínimas - e de condições para que possam exercer uma actividade.“Há que perceber a situação destes três acampamentos” - localizados na Ribeira de Santarém, junto à linha do caminho de ferro e próximo do Centro Nacional de Exposições - “e tentar encontrar uma solução”, disse.Lusa

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