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Vereadores desconheciam coacção sexual

Vereadores desconheciam coacção sexual

Carlos Carrão e Ivo Santos ouvidos no julgamento do ex-vereador da Câmara de Tomar António Fidalgo

Carlos Carrão e Ivo Santos, vereadores da Câmara de Tomar, disseram na última sessão do julgamento de António Fidalgo que nunca ouviram falar da coacção sexual alegadamente praticada pelo seu ex-colega sobre quatro funcionárias da autarquia.

Edição de 14.07.2004 | Sociedade
Os dois vereadores ouvidos como testemunhas no processo do ex-vereador da Câmara de Tomar, António Fidalgo, acusado de coacção sexual por quatro funcionárias, negaram ter qualquer conhecimento do caso antes deste ter sido tornado público. Carlos Carrão e Ivo Santos, ambos do PSD, garantiram ao Tribunal de Tomar, na sessão de segunda-feira, que nunca falaram sobre o assunto com as queixosas. O que é contradito pelas funcionárias em causa.As declarações dos vereadores em exercício na Câmara de Tomar levaram o juiz a decidir pela realização de acareações com duas das assistentes. Mas as posições não se alteraram. Carlos Carrão negou ter tido conhecimento do caso. Enquanto a queixosa afirmou que não retirava nenhuma vírgula ao que já tinha afirmado durante a sua inquirição. A assistente voltou a dizer que falou com Carlos Carrão, garantindo que lhe contou que António Fidalgo a tinha tentado agarrar no gabinete. Mas o vereador que actualmente tem o pelouro dos recursos humanos contrapôs dizendo desconhecer as motivações da assistente “para a levar a dizer isto”. Carlos Carrão confirmou que chegou a receber a queixosa no gabinete do presidente, quando este estava ausente, mas que o teor da conversa tinha a ver com problemas de trabalho e não com assédio sexual. Ivo Santos, que na altura a que se reportam os factos, 2001, era assessor da câmara para a educação, também foi peremptório no seu testemunho. E sublinhou que na segunda-feira de Páscoa de 2001 não falou do assunto com uma das assistentes, que garantiu tê-lo posto ao corrente das alegadas investidas de António Fidalgo. No testemunho, Ivo Santos salientou que nesse dia tinha estado no Hospital de Abrantes. O tribunal confrontou a assistente com os factos contraditórios. Esta afirmou que não se lembrava bem do dia, mas que tinha sido na altura da Páscoa que tinha dito a Ivo Santos que o ex-vereador lhe agarrou nas mãos. Nas suas declarações, Ivo Santos não foi tão directo quanto Carlos Carrão, que garantiu não ter dúvidas nenhumas sobre o que estava a dizer. Ivo Santos por vezes contornou as respostas dizendo que não se lembrava de ter tido alguma conversa com uma das assistentes acerca do alegado comportamento de António Fidalgo. O presidente do colectivo de juízes, Vítor Amaral, chegou mesmo a pedir a Ivo Santos que fosse mais peremptório nas suas respostas. A testemunha sublinhou também que nunca notou nada de estranho no gabinete tutelado pelo ex-vereador Fidalgo, apesar de por vezes haver algum stress quando o serviço aumentava. Os testemunhos dos vereadores coincidiram também no que toca à personalidade do arguido. Ambos disseram que era uma pessoa exigente. Ivo Santos relatou que se lembrava de que uma das queixosas tinha dificuldades em escrever ofícios e que por isso às vezes andava algo nervosa.O advogado de defesa, Manuel Antão, incidiu as suas perguntas sobre o facto de uma das assistentes ter viajado com o ex-vereador para França, ao serviço da autarquia, quando supostamente já andava a ser coagida sexualmente. O causídico chegou a deixar no ar a ideia de que a queixosa foi com António Fidalgo “para fazer as pazes”. Nesta sessão foi também ouvida a funcionária que exerce funções administrativas no gabinete do presidente da câmara, António Paiva. Mafalda Vilarinho, que trabalha há 21 anos na autarquia, assegurou que nunca se apercebeu de algo anormal na relação do ex-vereador com as funcionárias. Questionada pelo colectivo sobre se alguma vez tinha ouvido a expressão “as pombinhas do vereador”, alcunha pela qual eram conhecidas as queixosas, Mafalda Vilarinho respondeu afirmativamente. E acrescentou que esse nome podia derivar do facto de elas andarem sempre com o arguido, mesmo fora das horas de expediente.
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