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Ouriquense e Pontével acusam a Câmara do Cartaxo de querer voltar atrás no processo dos campos sintéticos

A taça transbordou. Ouriquense e Pontével avançaram para a construção de relvados sintéticos mas o processo poderá atrasar-se bastante uma vez que a Câmara do Cartaxo quer realizar um concurso público para a obra, o que impedirá que os campos estejam concluídos no início dos campeonatos. Os clubes dizem que o vereador do Desporto lhes disse para avançarem e não admitem recuos. A câmara só se pronuncia sobre o assunto na próxima semana.

Edição de 21.07.2004 | Desporto
O Estrela Futebol Clube Ouriquense (EFCO) e o Grupo Desportivo de Pontével (GDP) estão indignados com a atitude do vereador com o Pelouro do Desporto da Câmara Municipal do Cartaxo, Pedro Ribeiro. Dizem que depois de durante vários meses ter acompanhado o processo de construção dos relvados sintéticos de ambos os clubes, o autarca parece agora querer voltar com a palavra atrás, inviabilizando, ou pelo menos atrasando, a construção dos mesmos.Os clubes alegam que receberam luz verde de Pedro Ribeiro para abrirem conta e negociarem os contratos de financiamento com uma instituição bancária, pelo que não percebem o que levou a que o assunto fosse retirado da ordem de trabalhos da reunião do executivo cartaxeiro, marcada para o dia 9 deste mês.Numa conferência de imprensa conjunta das duas direcções realizada na segunda-feira, dia 19, o presidente do GD Pontével começou por fazer uma resenha exaustiva de todo o processo, que já tem vários meses. “Desde o final do transacto ano (2003) que entre o GDP e a Câmara Municipal do Cartaxo se intensificaram as reuniões, fazendo sempre parte da ordem de trabalhos o relvado sintético”, pode ler-se no comunicado distribuído aos jornalistas.Segundo o presidente do GD Pontével, no primeiro trimestre do corrente ano Pedro Ribeiro disse que o clube podia avançar com as obras do campo sintético, o que levou os dirigentes a consultar várias empresas, visitar diferentes campos, pedir pareceres, consultar técnicos desportivos e, finalmente, aceitar um dos orçamentos propostos. “Todo este processamento era e é do conhecimento do Sr. Vereador do Desporto, que ia sendo devidamente informado dos diversos passos”, referiu Vítor Oliveira.Segundo os dois clubes, o processo tomou novas proporções quando, no dia 6 de Julho, o vereador reuniu, no seu gabinete, com o gestor e director do empréstimo, conseguindo nessa reunião aumentar o prazo de pagamento de quatro para oito anos. No dia seguinte Pedro Ribeiro terá dito aos dirigentes que podiam abrir conta no BPI para que o processo avançasse rapidamente, mas a surpresa veio no dia 9, quando o assunto foi retirado da ordem de trabalhos da reunião de câmara, alegadamente sem qualquer explicação.Estes factos foram confirmados também pelo presidente do Estrela Ouriquense, que admite até não tomar posse se o assunto não for resolvido em breve. “O Estrela não pode jogar no pelado porque neste momento é um britado. Fui eleito mas ainda não tomei posse e estou completamente à vontade para avançar ou abandonar”, disse Carlos Albuquerque, passando a batata quente para as mãos da câmara.O MIRANTE quis saber qual a posição da Câmara do Cartaxo sobre toda esta polémica, mas a autarquia só se vai pronunciar publicamente sobre o assunto na próxima segunda-feira.Adjudicação directa ou concurso públicoO grande problema de todo este processo parece, afinal, não passar de uma questão formal e burocrática. Segundo a versão dos clubes, a câmara sempre propôs que fossem eles os donos das obras, negociando directamente com as empresas e os bancos. Desta forma evitava-se a realização de concursos públicos, que atrasariam bastante as obras.Paralelamente, a autarquia transferiria para os clubes as verbas correspondentes à sua comparticipação, ao abrigo do protocolo de apoio às associações desportivas do concelho. Os montantes em causa seriam transferidos como apoio para obras e em montantes iguais aos que os clubes têm recebido nos últimos anos para esta componente dos protocolos assinados entre a autarquia e os clubes. No fundo a câmara não dava mais dinheiro que o habitual, dava era a garantia que transferiria o dinheiro, o que era fundamental para os clubes negociarem o empréstimo com a banca.No meio de tudo isto surgiram algumas dúvidas quanto à legalidade de serem os clubes a responsabilizarem-se directamente pelas obras e aos montantes a serem transferidos pela autarquia. Na reunião do dia 9, o vice-presidente da Câmara do Cartaxo e vereador do Desporto, Pedro Ribeiro, confirmou a obrigatoriedade de efectuar o concurso público, mas garantiu que a autarquia não chegou a dar luz verde para que as obras avançassem, o que contraria a versão de Ouriquense e Pontével.Recorde-se que, como O MIRANTE noticiou na última edição, nessa mesma reunião o vereador da Câmara Municipal do Cartaxo, Augusto Parreira, acusou o executivo de ter conduzido mal o processo, que deveria ter sido feito através de concurso público, uma vez que o investimento a efectuar em três campos do concelho é comparticipado acima de 50 por cento por fundos públicos. O protocolo de apoio ao associativismo desportivo 2004, um dos pontos a discutir na última reunião de Câmara do Cartaxo, realizada na manhã de dia 9, acabou por ser retirado da ordem de trabalhos, mas mesmo assim o vereador do PS, a quem foi retirada a confiança política há alguns meses, não poupou críticas à actuação do executivo.Para Augusto Parreira era elementar que a consulta fosse pública, até porque estão em causa montantes demasiado elevados que ascendem a um milhão de euros. “É um assunto demasiado sério para ser tratado de forma leviana como foi. Sinto-me enganado. Há cinco dias estavam a ser descarregados dois camiões de materiais para começar a obra”, alertou.SL Cartaxo recusaresponsabilidadese também quer sintéticoNa conferência de imprensa em que apresentaram a sua versão dos factos, os dirigentes do GD Pontével e do EFC Ouriquense deixaram entre linhas que o Sport Lisboa e Cartaxo (SLC) podia estar a pressionar a autarquia para que o processo retrocedesse e o clube da sede de concelho também construísse o seu sintético.Esta opinião é desmentida pelo presidente do SLC. Manuel Dias não percebe sequer como é que alguém pôde avançar com um projecto destes sem incluir o Sport Lisboa e Cartaxo, que é, de longe, o clube mais representativo, com mais atletas e mais equipas do concelho e da região. “Recuso-me a acreditar que tenha existido um processo negocial à nossa revelia”, acrescenta o dirigente, negando que alguma vez tenha dito que o SLC não queria construir o sintético.O presidente do SL Cartaxo defende a realização de um concurso público para a construção dos sintéticos, para que todo o processo seja o mais transparente possível.

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