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Preocupados com a privatização das Lezírias

Preocupados com a privatização das Lezírias

CGTP promove manifestação em Samora Correia

A manifestação contra a privatização da Companhia das Lezírias (CL) foi apresentada como um protesto dos trabalhadores, mas os actuais funcionários da empresa contaram-se pelos dedos e se não fosse a mobilização do PCP e dos sindicatos teria sido um fracasso.

Edição de 21.07.2004 | Economia
No final da tarde de sexta-feira, 16 de Julho, o líder da CGTP, Carvalho da Silva foi a Samora Correia dizer que o Governo e a administração da CL estão a tornar a empresa mais apetecível para a privatização, retirando regalias aos trabalhadores. A “tribuna pública” juntou mais de sessenta pessoas na Praça da República, em frente do Palácio do Infantado, que acolheu a sede da CL até 1976. A organização convidou deputados de todos os grupos parlamentares e os presidentes das câmaras de Vila Franca, Benavente e Salvaterra, mas só apareceram a deputada comunista Luísa Mesquita e o vice-presidente da câmara de Benavente, Carlos Coutinho (CDU).Edmundo Oliveira, do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas, criticou a proposta de acordo colectivo, apresentada recentemente, e disse ser uma clara imposição do novo pacote laboral. O sindicalista disse ser uma proposta “inaceitável”, que não respeita os direitos dos trabalhadores. “ Este acordo de empresa constitui uma limpeza completa dos direitos consagrados dos trabalhadores ao remeter para o novo Código de Trabalho 15 cláusulas fundamentais”, concluiu. O sindicalista acusou a administração de ter deixado passar o prazo e só ter respondido à proposta de acordo de empresa, enviada pelo sindicato, depois de muita insistência. O sindicalista lembrou que a CL já empregou centenas de pessoas e está hoje reduzida a menos de 100. O sindicato afirma que a empresa recorre cada vez mais a pessoal contratado e a empresas de trabalho temporário.Numa reacção à iniciativa da CGTP, o presidente do conselho de administração da CL, Salter Cid, lamentou que os sindicatos tenham fugido ao diálogo, optando por fazer barulho na praça pública. O gestor disse estar sempre disponível para falar com os trabalhadores e sindicatos.A deputada comunista Luísa Mesquita deu voz ao coro de protestos contra a privatização da CL e desafiou o povo a pedir explicações ao Parlamento e ao Governo, através de uma petição ou de pedidos de audiências. A parlamentar apontou algumas contradições à maioria do Governo.” É uma verdadeira anedota que quem anuncia a intenção de levar o Ministério da Agricultura para Santarém queira privatizar e destruir a maior empresa agrícola portuguesa”, disse. Luísa Mesquita lamentou o afastamento dos restantes grupos parlamentares duma luta que deveria ser de todos. Num discurso longo e deslocado, o secretário-geral da CGTP alertou para os grandes interesses de especulação imobiliária que rodeiam a privatização da CL. “ Eles querem pôr a maior empresa agrícola portuguesa nas mãos de estrangeiros”, avisou. O vice-presidente da Câmara Municipal de Benavente reforçou a intenção da autarquia de lutar pela preservação integral do património natural da empresa e desafiou a participação de todos, independentemente dos partidos que representam. “O município de Benavente tomou uma posição clara e inequívoca contra a privatização da CL”, disse. Carlos Coutinho referiu estar consciente das dificuldades, mas disse acreditar que é possível pôr cobro a este processo.João Constantino, o único trabalhador que deu voz ao protesto na “Tribuna Pública”, recordou que já lutou contra duas tentativas de privatização da empresa e ganhou. “É possível suster esta investida e manter a empresa com capitais públicos”, disse.O funcionário recordou que em 2000, não houve acordo de empresa porque já estava subjacente a onda privatizadora e os novos trabalhadores perderiam direitos em relação aos que já lá estavam.O coordenador da União de Sindicatos do Distrito de Santarém, Valdemar Henriques mostrou abertura para integrar a plataforma formada por autarcas, associações de agricultores e organizações não governamentais para pressionar o Governo a recuar na decisão de privatizar a maior empresa agrícola do país.
Preocupados com a privatização das Lezírias

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