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Uma brincadeira que resultou num caso sério

Sovaletas recebeu galardão de PME do ano
Edição de 21.07.2004 | Economia
Foi por uma brincadeira com um amigo dos tempos de Moçambique que Albino Pereira constituiu a Sovaletas, em Dezembro de 2000. Quatro anos depois a empresa ganhou o galardão de melhor PME da região de Santarém. Mas o empresário está já habituado a receber prémios. As outras duas empresas que possui já receberam também o prémio Prestígio, do IAPMEI. “É sempre bom porque o nosso esforço é reconhecido”.Um empreiteiro de quem Albino Pereira se tinha tornado amigo em Moçambique andava a fazer umas obras na zona de Tomar e decidiu visitar o amigo. Uma vista que resultou no nascimento da Sovaletas, empresa que se dedica a realizar bermas de vias rodoviárias em betão armado.“Nesse dia o meu amigo sugeriu-me a compra de uma máquina em vez de fazer as valetas de forma artesanal e eu, por brincadeira, disse-lhe que podíamos fazer uma sociedade – eu comprava a máquina, que ficava para mim, e o lucro seria repartido por ambos”. E assim nasceu a Sovaletas, sediada na Quinta do falcão, às portas de Tomar.A máquina foi adquirida por 165 mil euros e ao fim de dois ou três meses já não chegava para as encomendas. Veio uma segunda, depois uma terceira. Hoje, a Sovaletas tem quatro máquinas específicas para a feitura de bermas. O preço do equipamento foi aumentando, à medida que a qualidade também era maior. Uma máquina valadeira, como se chama, ronda agora os 600 mil euros.A grande procura deste tipo de trabalhos por parte das empresas de obras públicas revela que a Sovaletas veio colmatar uma falha no sector. “Nessa altura havia apenas uma empresa no Norte que alugava este tipo de máquinas em Espanha para executar os trabalhos em Portugal”.Pioneira nesta actividade a Sovaletas viu recentemente surgirem no mercado outras firmas que entretanto descobriram o filão de ouro das obras públicas – qualquer estrada tem de ter bermas e se elas forem feitas mais rapidamente, menos tempo se perde. “Mas ainda somos líderes do mercado e havemos de ser por muitos anos, se Deus quiser”, diz Albino Pereira, adiantando que a Sovaletas representa 80 por cento do sector.Actualmente a empresa está presente em obras de norte a sul de Portugal e já expandiu o seu negócio até ao país vizinho. E a intenção é mesmo abrir uma sucursal na capital espanhola. Albino Pereira diz só esperar que a crise se amenize. “Talvez para o final deste ano, início do próximo ano”.Mas em Portugal ainda há muito trabalho para fazer. Além das auto-estradas, onde a empresa é quase sempre chamada a colaborar, há ainda as obras das autarquias. Com tanto trabalho o que vale à autarquia é ter capacidade de resposta para garantir obras todo o ano aos 117 empregados, 87 efectivos e 30 contratados.Veio a crise e a Sovaletas, como tantas outras empresas, foi obrigada a diminuir as margens de lucro para conseguir manter a máquina a funcionar. Mas Albino Pereira acredita que terá a recompensa no futuro.A par da internacionalização – Senegal e Brasil poderão ser os próximos países - a empresa apostou na qualidade dos seus serviços. Albino Pereira diz que, mais do que nunca, quem não apostar na qualidade, tem os dias contados. E dá como exemplo as empresas espanholas, que, apesar de não terem tão boa qualidade técnica têm uma excelente imagem perante o cliente.Desde Fevereiro deste ano, a Sovaletas tornou-se a única empresa do ramo a estar certificada pela norma ISO 9001-2001, que garante ao cliente final a qualidade do seu produto.Albino Pereira afirmou-se surpreendido pelo facto de uma empresa tão recente ter recebido o prémio de PME do ano, uma iniciativa do jornal O MIRANTE e da Nersant. Mas, como as molduras penduradas na parede do escritório testemunham, o empresário já recebeu outros prémios – do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI) - pelo desempenho das outras duas empresas, nomeadamente da Paviprel, empres-mãe.São prémios que o deixam orgulhoso. “É o reconhecimento do nosso esforço”.

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