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Uma profissão de futuro

Joana Silva criou o seu próprio emprego como cabeleireira

Com apenas 24 anos, Joana Silva é cabeleireira e gerente do salão de beleza que abriu há quase um ano em Torres Novas. A vontade de inovar e experimentar novas técnicas levou-a a criar o seu próprio emprego e o balanço não poderia ser mais positivo.

Edição de 20.07.2004 | Identidade Profissional
Ainda não são nove horas da manhã quando Joana Silva chega ao Cabeleireiro Juju, em Torres Novas. É no amplo salão de decoração moderna que a jovem de 24 anos trabalha há quase um ano, depois de ter decidido lançar-se por conta própria.O trabalho artístico, como a coloração e as técnicas mais arrojadas, são as grandes paixões de Joana Silva, que dispensa a tradicional permanente e as aborrecidas ‘misses’ de rolos. “Não deixa tanto espaço à criatividade”, revela.A maioria dos clientes gostam de mudança e muitas vezes deixam o penteado ao critério da profissional. As madeixas, os cortes em ‘degradé’ e os despenteados são a grande tendência. Os penteados da moda que aparecem nas revistas e os cortes de alguns actores de telenovelas também influenciam a escolha dos clientes, alguns do sexo masculino. A própria cabeleireira acaba por servir de modelo. “Vêm sempre buscar qualquer coisa de nós”.As manhãs no cabeleireiro são normalmente mais calmas que as tardes, mas há dias em que aparecem todos ao mesmo tempo. Joana Silva tenta, normalmente, equilibrar o tempo trabalhando por marcações. A única ajuda que tem no salão são duas estagiárias do centro de formação que ali vão aprender. Não tem medo de desvendar os segredos da sua técnica e considera que faz apenas o que gostaria que lhe tivessem feito quando começou.Joana Silva deixou cedo a escola e com apenas 15 anos entrou no mercado de trabalho no ramo de hotelaria. Em 1999, quando estava a trabalhar no Algarve, soube que iria começar um curso de oficial de cabeleireiro no Centro de Formação Profissional de Tomar e decidiu inscrever-se. Ser cabeleireira nunca tinha sido o seu sonho, mas sempre sentiu interesse pela área. Durante os três anos de duração do curso aproveitou para começar a trabalhar no salão do centro de formação, aos sábados e durante as férias. Reconhece que a experiência ajuda a enfrentar as dificuldades do dia a dia. “Achei que seria uma mais valia e assim estaria mais preparada para enfrentar o trabalho no futuro”, revela.Depois do curso fez um estágio profissional num salão de Torres Novas, onde acabou por ficar. A falta de inovação do local, onde trabalhava, acabou por desiludi-la e Joana Silva, sedenta de experimentar novas técnicas, decidiu criar o seu próprio emprego. “Sentia-me preparada para avançar e confiava no meu trabalho”, explica.Em Setembro de 2003, abriu as portas do salão, junto ao hipermercado Lidl, e o balanço que faz não poderia ser mais positivo. Com o apoio dos pais recorreu a um empréstimo bancário e foi mobilando o salão gradualmente. A maior dificuldade foi a burocracia que encontrou pela frente até abrir o salão, dois meses depois.No início foi difícil captar a atenção das pessoas. “Cheguei a ter dias em que chorava de desespero. A minha preocupação era não ter dinheiro para as despesas”, recorda. Mas hoje orgulha-se de ter uma boa carteira de clientes, que abrange as camadas mais jovens até senhoras de meia idade. “Não há melhor publicidade do que a palavra que vai passando de boca em boca”, garante. Um dos segredos do sucesso do seu negócio são as boas marcas e os preços acessíveis. Sabe que pode perder um pouco, mas tem a certeza de que ganha um cliente. Joana Silva tem consciência de que ainda se vive a crise. “As pessoas já não vêm ao cabeleireiro como antigamente. E já não se fidelizam tanto. Hoje vão a um e amanhã a outro porque também dá mais jeito”.A sua actividade como profissional de cabeleireiro e empresária deixa-lhe pouco tempo para a sua vida pessoal. Há dias em que sai do salão depois das 21h00 para não deixar uma cliente pendurada. Há dois anos que não goza férias e tão cedo não irá deixar o cabeleireiro para viajar. As sua prioridade é estabilizar o negócio. É também Joana Silva que controla os pagamentos, as facturas e trabalha com os fornecedores. A rentabilidade do trabalho é inconstante, mas vai dando para as despesas.Aos sábados, por causa dos casamentos, o trabalho começa às 7h30. Ana Rita Brandão, uma amiga de infãncia de Joana, complementa o serviço no salão na área de estética, tatuagens e body-piercing.Joana Silva considera que ser cabeleireira é uma profissão de futuro. “Basta querer. Não se acomodar e não viver do mesmo corte”. Para a profissional, que nunca gostou da rotina e adora experimentar novas técnicas, essa é uma máxima fácil de seguir.Ana Santiago

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