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Entre a prosperidade empresarial e a falta de infra-estruturas

Entre a prosperidade empresarial e a falta de infra-estruturas

Alcanede, a freguesia com maior área do concelho de Santarém

Alcanede é conhecida pela terra da extracção de pedra, onde existem mais de 100 empresas que se dedicam a esta actividade. É porta de entrada para uma área do Parque Natural da Serra D’Aire e Candeeiros, onde existem muitas aldeias de casas de pedra e ruas estreitas. Alcanede vive sem algumas condições básicas, mas assiste a um cada vez maior progresso empresarial.

Edição de 20.07.2004 | O poder local aqui tão perto
No alto, o castelo observa a vida calma da freguesia. É a maior do concelho de Santarém com os seus 109 quilómetros quadrados. Das ameias da fortaleza sobressai o encarnado dos telhados dispersos pela verde paisagem que rodeia Alcanede. Uma terra às portas do Parque Natural das Serras D’Aire e Candeeiros. Rica pelas muitas pedreiras, pobre em infra-estruturas. Nos 23 lugares e 10 casais do território os esgotos vão para fossas sépticas. Nem a sede de freguesia tem saneamento básico, com muitas águas residuais a correram para valetas a céu aberto. Os mais velhos da freguesia, que aproveitam a sombra do quiosque no cruzamento de entrada na vila, sentem-se isolados. Estão numa terra quase esquecida, penalizada por se encontrar nos confins do concelho de Santarém, no limite com o de Porto de Mós. Chegar a Alcanede é quase um martírio. Não é só o trânsito de camiões que escoam toneladas de pedra da serra que pode incomodar. É o mau estado da Estrada Nacional 362 que liga a vila a Santarém. As pedreiras que salpicam a serra, aqui e ali, são a fonte de rendimento da terra. Existem mais de 100 explorações. O desemprego não é problema na zona e para satisfazer as necessidades de mão-de-obra já existem muitos imigrantes de Leste na actividade.Da mesma vitalidade não se pode orgulhar o comércio que serve os seis mil habitantes da freguesia. As lojas cada vez têm menos movimento. É a crise, dizem alguns. Nos serviços existem duas instituições bancárias com caixa Multibanco. Os correios estão no centro da vila. A extensão de saúde acusa a falta de espaço e está previsto mudar-se para um novo edifício a construir na periferia do aglomerado urbano. Para ocupar o tempo é preciso recorrer à imaginação. Os jovens nem sequer têm um polidesportivo para praticar desporto. Há um projecto para fazer um com recinto para jogos de futebol de 5 e ténis. Deseja-se um pavilhão desportivo para os alunos da Escola EB 2/3, mas por enquanto a sua construção ainda não passou o limiar do sonho.A população está envelhecida e um reflexo disso é o encerramento de algumas escolas primárias por falta de alunos. E as que ainda estão a funcionar não têm grandes condições. Em contrapartida está prevista a construção de um jardim-de-infância em Além da Ribeira, uma aldeia que tem contrariado as baixas taxas de natalidade. A maior parte dos jovens tem saído da freguesia para ir viver em Alcanena e Rio Maior. As restritivas medidas do Plano Director Municipal não deixam muitas alternativas à construção de novas habitações nos terrenos que envolvem o núcleo urbano. Por isso a freguesia também não consegue dar resposta a alguns forasteiros que querem assentar arraiais na localidade. Não existem muitos problemas sociais. Segundo o presidente da junta de freguesia, Manuel Vieira, existem três ou quatro casos preocupantes. Mas para esses há uma solução em marcha que passa pela construção de seis habitações sociais. Alcanede tem excelentes condições para o turismo, mas para o desenvolver faltam as infra-estruturas básicas para receber os turistas. No território da freguesia há um algar, uma ponte romana, o castelo e pegadas de dinossauro a 500 metros do lugar de Pé da Pedreira. Falta uma pousada para acolher os visitantes. Há um particular interessado em transformar o castelo numa pousada, mas o processo não tem sido fácil. Por isso o alojamento resume-se a algumas casas alugadas por particulares. As pessoas da freguesia são afáveis, simpáticas e prontas a ajudar os forasteiros que pedem informações. São pessoas simples dadas ao convívio. Ainda há a tradição de matar o porco e convidar os amigos e conhecidos para a festa. Alguns vão comprar o animal, já morto, ao matadouro, mas fazem a festa na mesma. Há colectividades em todos os lugares, mas não funcionam regularmente. As actividades culturais resumem-se às iniciativas do Rancho Folclórico de Viegas e às duas bandas, a Sociedade Filarmónica Alcanedense e a Banda do Xartinho. Alcanede é uma terra cheia de potencialidades, com condições para se desenvolver, mas que fica marcada por contrastes abismais entre a falta de condições básicas e a prosperidade das empresas instaladas na freguesia.
Entre a prosperidade empresarial e a falta de infra-estruturas

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