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As obras que nunca mais acabam

As obras que nunca mais acabam

Comerciantes do Pego queixam-se da lentidão das obras na rua principal

Há sete meses que os comerciantes da rua principal do Pego lidam com a poeirada, a lama e o barulho causados pelas obras de reabilitação ali em curso. A morosidade da empreitada é criticada por quem vê o seu negócio definhar de dia para dia.

Edição de 20.07.2004 | Sociedade
Os comerciantes da rua principal do Pego, estrada nacional 118, queixam-se que as obras ali em curso nunca mais acabam e que o negócio está a ir por água abaixo. Há pó e buracos por todo lado e sinais de trânsito colocados quase a esmo, que deixam o visitante pouco menos que desorientado. A aldeia parece em estado de sítio e só lá passa quem obrigatoriamente tem de fazê-lo.Os comerciantes concordam que as obras de saneamento básico e requalificação da via eram necessárias. Mas criticam a sua lentidão. Um ano é o prazo que consta do caderno de encargos. António Marques Alexandre, proprietário de um stand de automóveis - Carpego - junto ao jardim, é uma das vozes mais críticas. Já apresentou o seu protesto numa reunião camarária e não consegue entender como se adjudica uma obra com um prazo de execução tão dilatado.“No Gavião e no Sardoal fizeram o mesmo e os trabalhos demoraram três meses, aqui andamos nisto desde Janeiro”, diz. Desde essa altura que o stand permanece com a porta fechada com a indicação de aberto, para impedir a entrada do pó. “Se não fosse assim as pessoas não conseguiam ver a cor do carro que queriam comprar. Basta olhar para os que estão lá fora”, continua.Mas a poeira é apenas a consequência mais visível. Em termos de vendas António Alexandre afirma que elas desceram para um terço de Janeiro a Junho. “Passei só de 35 carros por mês para 12 e isto não tem a ver com a crise. Esta obra é de uma incompetência tremenda”.No dizer de alguns, nem o bucho à quarta-feira tem animado os clientes. “Não há estacionamentos, não se pode circular e as máquinas andam sempre para trás e para frente”, lamenta António Larguinho, do restaurante “A Tulipa” Para o restaurante existente na rua principal, aberto desde 1999, este é o pior ano de sempre. Nos últimos tempos a quebra do poder de compra tem feito diminuir a clientela, mas com as obras o decréscimo foi muito mais acentuado. “Só cá vem quem conhece e são muito menos porque têm de deixar o carro longe. Os clientes de passagem nem se sequer podem circular quanto mais parar”, continua.Luís Camões, dono do restaurante “O Cabaço”, está mais conformado. Claro que os clientes diminuíram, que o pó entra por todos os orifícios, mas “não sou daqueles que dizem sempre mal. Obras ninguém as quer à porta, mas têm de ser feitas”.Pelas suas contas, o serviço de refeições decresceu para metade e, para ele, tal como para António Laguinho, 2004 é o pior ano de sempre.“Mandam para aqui dois ou três homens como é que querem que a obra ande depressa?” questiona António Alexandre. Mais: para atenuar o pó, a estrada devia ser regada regularmente. “Mas passam-se três e quatros dias sem que isso se faça. É preciso ligarmos para a câmara”, acrescenta o queixoso.À entrada da aldeia, para quem vem de Abrantes, Francisco Victória foi obrigado a fixar umas placas para os clientes e fornecedores poderem chegar ao seu estabelecimento. “O encarregado disse-me que não valia a pena porque seriam 2 ou 3 dias, mas já lá vão quase sete meses”, diz o responsável da Móveis André.A necessidade das obras não é minimamente posta em causa pelo empresário. Tanto mais que os vidros da loja foram várias vezes partidos por pedras projectadas da estrada pela passagem dos carros, mas poderia ser menos demorada: “E nós não somos dos mais queixosos, os comerciantes do centro da aldeia estão bem piores”, concluiu. Margarida Trincão
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