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Belo jardim cheio de espinhos

Belo jardim cheio de espinhos

Casas de sonho transformaram-se em pesadelos em Samora Correia

Os moradores da Urbanização do Belo Jardim em Samora Correia estão com os nervos em franja porque compraram casas de sonho “num empreendimento de qualidade” e estão a viver um pesadelo. A Câmara de Benavente promete resolver parte dos problemas e nega a acusação de descriminação.

Edição de 20.07.2004 | Sociedade
Quem passa por Samora Correia e avista ao longe um conjunto de moradias de luxo, não imagina o que se passa lá dentro. Dezenas de famílias que pensaram comprar uma casa de sonho estão a viver um pesadelo. Pagam condomínios elevados (em média 80 euros mensais) e não têm a qualidade de vida dos outros munícipes. A rede de água não tem pressão suficiente para banhos e regas. Depois de gastarem elevadas quantias nos sistemas de rega automáticos, são obrigados a regar à mão e em horas de menor consumo. Os esgotos são encaminhados para o rio sem tratamento e a iluminação pública chega a estar apagada noites seguidas.A recolha de lixo é insuficiente, faltam contentores e há restos das obras junto de casas de luxo, algumas avaliadas em 500 mil euros. Mas as queixas não ficam por aqui. As ruas têm nomes aprovados pelas autarquias, mas não existem as placas. Os carteiros têm dificuldades para fazer a distribuição e quem procura um morador através da morada vê-se grego para encontrar a casa.Os espaços verdes públicos estão degradados. Não há sinalização nem lombas e reina o salve-se quem puder na circulação dentro da urbanização. A GNR não passa pelo local e a portaria, com vigilância paga pelos condóminos, na entrada da urbanização, não tem evitado alguns furtos.Dezenas de crianças e trabalhadores que se deslocam frequentemente para o centro da vila, não têm passadeira nem passeio na EN 118 e arriscam-se todos os dias a ser atropelados por carros que circulam a velocidades excessivas para o local.“Quando se der uma tragédia, vamos pedir responsabilidades”, alerta José Miguel Dias, um dos três administradores do condomínio. “Comprámos um rebuçado muito bonito e bem embrulhado e quando abrimos foi uma desilusão”, explica o administrador Paulo Soares da Veiga.Enquanto decorre a conversa com o repórter, um terceiro administrador, José Vinagre, ouvia mais queixas de um condómino. “Estão sempre a chegar novos problemas”, refere.Perigo de fogoAlguns moradores alertam O MIRANTE para o perigo dos matos que estão no pinhal, que é da responsabilidade da Câmara Municipal de Benavente, e está a escassos metros da casa. “Se houver um fogo, estas casas ardem todas”, alerta. Mas o perigo também está nos lotes desocupados, onde os proprietários notificados pela câmara ainda não procederam à limpeza, obrigatória por lei. Os condóminos queixam-se que pagam mensalidades muito elevadas que não se traduzem na qualidade de vida que lhes foi prometida. Alguns já deixaram de pagar as mensalidades, alegando a insatisfação que sentem, e estão em curso processos litigiosos.A administração do condomínio acusa a Câmara Municipal de Benavente de discriminação e abandono. “Temos a fama de viver numa zona de ricos, mas aqui a câmara não cuida dos espaços verdes e da limpeza como faz noutras urbanizações de Samora”, diz José Vinagre.José Miguel Dias refere que a autarquia tem mostrado grande abertura para o diálogo, mas “não passa o discurso à prática e fez muito pouco” desde que recebeu o primeiro memorando em Fevereiro.A existência de espaços públicos e privados também não agrada a alguns moradores. Por exemplo, o espaço verde da praça central, onde existe um brinquedo que não respeita a lei, é público. Na prática todas as crianças podem lá brincar, mas são os condóminos que pagam a manutenção e a reparação do espaço. A urbanização situada à entrada de Samora Correia, para quem viaja no sentido da vila, dispõe de 118 lotes, sendo que 60 por cento já estão construídos e grande parte habitados. A comercialização esteve a cargo da Imolusa, uma empresa que se prepara para comercializar os lotes da vizinha urbanização da Herdade do Pinheiro. Um projecto semelhante onde, segundo a câmara, serão corrigidas algumas anomalias, entretanto detectadas.O avanço da nova urbanização vai permitir a construção de um jardim-de-infância privado com capacidade para mais de 100 crianças. O equipamento previsto para a primeira fase da obra ainda não avançou porque o lote reservado para o efeito não tem área suficiente para cumprir aos critérios impostos pela lei. Com a área de cedência da Quinta do Pinheiro será possível construir a escola para servir as duas comunidades e outros interessados.Outro equipamento aguardado com expectativa é o passeio pedonal, ciclovia e circuito de manutenção que estão previstos no projecto inicial. O empreendimento irá ter também uma zona comercial, um clube social e um health club. Entre os moradores do Belo Jardim constam algumas figuras públicas como o vocalista da Ala dos Namorados, Nuno Guerreiro.As moradias concebidas por um grupo de arquitectos de nomeada são de genuína arquitectura portuguesa e, segundo a câmara, constituem exemplo para outros empreendimentos.O MIRANTE tentou falar com os responsáveis da empresa que promoveu e comercializou os lotes que, por estarem, em gozo de férias, não estiveram disponíveis para prestar esclarecimentos. Nelson Silva Lopes
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