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Carros de cidade para vigiar a floresta

Carros de cidade para vigiar a floresta

Direcção Geral dos Recursos Florestais atribui viaturas alugadas que não conseguem andar nas matas

A vigilância motorizada das matas da região está a ser feita com viaturas ligeiras que não podem circular no interior das zonas florestais. Os carros foram atribuídos às câmaras municipais pela Direcção Geral dos Recursos Florestais.

Edição de 20.07.2004 | Sociedade
Treze municípios da região estão a usar viaturas ligeiras na vigilância das matas. Os carros foram atribuídos pela Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF) no âmbito do Programa de Apoio à Vigilância Móvel nas Florestas. Pelas suas características os veículos para pouco servem, já que só podem andar em estradas de alcatrão deixando o interior das matas desprotegido. Este é um exemplo de pla-neamento da vigilância feita em cima do joelho. Não tem em conta as características das áreas florestais da região, com terrenos acidentados e estradas em mau estado. Ivete Strecht, responsável da DGRF por esta área, admite que não houve muito tempo para preparar este programa. As autarquias não escondem o desapontamento e o espanto quando receberam carros Renault Clio e Toyota Yaris, alugados pela DGRF a empresas privadas. O vice-presidente da Câmara de Azambuja conta que esperava receber um veículo todo-o-terreno, atendendo à grande densidade florestal do concelho. Por isso, Luís de Sousa considera que esta solução “só serve para gastar dinheiro”. Tal como o comandante dos Bombeiros Municipais de Alpiarça, Rodrigo Mira, o autarca de Azambuja considera que a viatura não é adequada para o serviço. “O Toyota Yaris que nos foi entregue é muito bom para os senhores que estão sentados nos gabinetes do Terreiro do Paço darem umas voltinhas por Lisboa. E como é um carro pequeno, é fácil de estacionar”, ironiza Luís de Sousa. Continuando as críticas, Luís Sousa diz que medidas destas são óptimas para o Governo ir para a televisão dizer que está a apoiar a vigilância florestal. O coordenador da protecção civil municipal de Abrantes, João Pombo, não é tão duro nos comentários, mas confirma que o carro tem muitas limitações. A começar pelo facto de não poder entrar no interior das matas, onde a vigilância é fundamental. Este é o primeiro ano do Programa de Apoio à Vigilância Móvel nas Florestas e, no entender de João Pombo, está a começar mal. “No mínimo devia ser uma viatura com tracção às quatro rodas. Mas o ideal era mesmo uma carrinha todo-o-terreno equipada com kit de primeira intervenção (inclui tanque de água para fazer o ataque inicial às chamas enquanto não chegam os bombeiros). O município de Abrantes já tinha definido vários percursos pelas matas onde era necessária uma vigilância eficaz. Com esta situação foi obrigado a reformular os giros. No concelho de Alpiarça o Renault Clio também só tem andado por “estradões” de terra e alcatrão. Almeirim e Chamusca, que já têm meios de vigilância motorizada, não concorreram ao programa. Na Chamusca, aliás, a associação ACHAR faz a observação das florestas em veículos adequados e com sistema de primeira intervenção. Na região, os municípios contemplados com as viaturas da DGRF são Constância, Alpiarça, Ourém, Ferreira do Zêzere, Sardoal, Alcanena, Santarém, Azambuja, Rio Maior, Abrantes, Entroncamento e Vila Franca de Xira, informou a DGRF. As autarquias de Chamusca, Almeirim, Torres Novas e Tomar também fizeram uma candidatura, mas optaram por não pedir viatura ficando o apoio por meios técnicos como binóculos e telemóveis.António Palmeiro
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