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Cordão humano contra o fim das urgências nocturnas

Cordão humano contra o fim das urgências nocturnas

População de Azambuja concentrou-se frente ao Centro de Saúde

A população de Azambuja não admite o encerramento do serviço nocturno no centro de saúde da vila. Para já fez um cordão humano para expressar o seu descontentamento. Mas as acções de protesto podem ganhar outros contornos.

Edição de 20.07.2004 | Sociedade
Largas dezenas de populares formaram na sexta-feira ao final da tarde um cordão humano em redor do Centro de Saúde de Azambuja como forma de protesto contra o encerramento do serviço nocturno a partir da próxima semana.“Bin Laden envia-nos um médico porque os terroristas dos nossos governantes querem matar-nos”, lia-se num cartaz pendurado no pescoço de um dos utentes. Para as pessoas que acorreram em massa ao Centro de Saúde, entre os quais alguns autarcas, o serviço nocturno é indispensável para os milhares de utentes do município.“Por causa de um simples corte vamos ser obrigados a ir para Vila Franca. Vimos cá muita vez à noite porque não temos outro sítio”, protesta Rafaela Marques, 42 anos, residente em Vale do Brejo, enquanto leva pela mão os seus dois filhos.Joaquim Sousa, 60 anos, residente em Azambuja, costuma fugir à confusão das manifestações, mas fez questão de ser mais um a fazer pressão para que o centro de saúde não encerre durante a noite. “Dizem que à noite os médicos são pagos a 200 por cento, mas pela nossa saúde é bom que esteja cá pelo menos um médico. Dá lucro ao país porque sempre vai passando receitas e o cidadão sente-se mais seguro”, argumenta.O novo edifício do centro de saúde, que está a ser construído na vila, é outra das razões que torna incompreensível a decisão de fecho. “Gastam-se milhões no novo centro para depois funcionar em part-time”, interrogou ao microfone Armando Martins, um dos responsáveis do Movimento Cívico Contra o Encerramento Nocturno do Centro de Saúde de Azambuja, que organizou o cordão humano.Antes dos populares iniciarem a manifestação, o director da unidade quis vir publicamente dar algumas respostas aos utentes. “Nunca houve da nossa parte qualquer intenção de encerrar o centro de saúde. É consequência da idade dos médicos”.António Ramalho lembra que o problema devia começar a ser equacionado em todo o país, uma vez que os estudantes de medicina demoram a formar-se e não são suficientes para garantir a substituição dos actuais clínicos. Reedição da marcha lentaA partir de 26 de Julho o Centro de Saúde de Azambuja, que até aqui estava aberto 24 horas por dia, passará a funcionar apenas das 09h00 às 22h00. Durante a noite os utentes do concelho terão que dirigir-se ao Hospital Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira.A idade avançada de alguns médicos, muitos dos quais já ultrapassaram os 55 anos e podem pedir a isenção de trabalho nocturno, é a razão apontada para o encerramento do serviço. O centro vai fechar à noite durante o mês de Agosto por causa das férias, mas em Setembro não há garantias de que o serviço volte a funcionar com apenas três clínicos disponíveis para o trabalho nocturno.Uma explicação que o responsável do movimento cívico não aceita. “O problema não passa de má gestão de recursos humanos. Já era sabido há alguns anos que o centro poderia fechar. Sabemos que há médicos em Lisboa”, justifica Armando Martins.A manifestação é também uma acção de protesto contra a falta de alternativas. “Vila Franca não é um complemento para casos mais graves. O hospital está saturado e fica a mais de 40 quilómetros de distância de algumas freguesias do concelho”.Armando Martins diz que as acções de protesto só agora começaram. A marcha lenta, que tão bons resultados deu no avanço da construção da rotunda poente da vila, poderá ser uma das futuras acções a reeditar. “Não vamos desistir a não ser que o povo queira”.Na noite da próxima sexta-feira irá decorrer no Pátio do Valverde um debate sobre o tema organizado pela associação de comerciantes de Azambuja, em colaboração com o jornal “malaposta”.O nosso jornal tentou contactar a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, mas até ao fecho desta edição não foi possível obter qualquer resposta.Ana Santiago
Cordão humano contra o fim das urgências nocturnas

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