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Uma pessoa “prepotente e inconstante”

Uma pessoa “prepotente e inconstante”

Funcionárias da Câmara de Tomar classificam ex-vereador, acusado de coacção sexual

A antiga chefe de secção do gabinete tutelado pelo ex-vereador da Câmara de Tomar, acusado de coacção sexual, classificou António Fidalgo como prepotente e inconstante. Tanto esta como as outras três testemunhas alegaram que, de concreto, nunca viram nada.

Edição de 20.07.2004 | Sociedade
Uma das quatro testemunhas ouvidas pelo tribunal na última sessão do julgamento do ex-vereador da Câmara de Tomar, acusado de coacção sexual por quatro funcionárias, caracterizou António Fidalgo como uma pessoa “prepotente e inconstante”. Maria Cidalina Marques, que foi chefe do gabinete tutelado pelo ex-vereador, entre 2002 e o início de 2004, confirmou que era habitual o arguido “aborrecer-se”. A testemunha sublinhou que o mau humor do ex-vereador se devia ao facto de o trabalho não ser feito da forma como ele queria. Disse ainda que, apesar de ser chefe, nunca mandou nada porque António Fidalgo é que queria controlar tudo. Maria Cidalina confirmou ainda que era normal as funcionárias oferecerem postais ao arguido. Mas alegou que isso não era feito com o coração, mas com o objectivo de tentar criar um melhor ambiente no gabinete, nem que fosse por alguns momentos. A segunda testemunha, engenheira civil da autarquia, Susana Pereira, confirmou que se sentiu intimidada quando uma vez o arguido lhe disse que “era muito bonita”. Disse que não gostou da forma como o elogio foi feito e que a situação aconteceu uma segunda vez por telefone. Mas realçou que o caso ficou por aqui depois de ter chamado António Fidalgo à razão. Tanto Maria Cidalina como Susana Pereira afirmaram que já tinham ouvido boatos sobre assédio no gabinete e que na rua as funcionárias eram conhecidas como “as pombinhas do vereador”. Situação também confirmada por Ana Paula Andrade, engenheira civil da autarquia. Mas de concreto nunca assistiram a nada. Ana Paula Andrade disse que teve conhecimento do que se passava pela boca de duas queixosas em Fevereiro de 2003. Contou que elas lhe tinham dito que o vereador as sentava ao colo, às vezes uma tarde inteira. Facto que deixou dúvidas ao tribunal, que questionou por várias vezes como era possível ter uma pessoa sentada nas pernas durante tanto tempo. A testemunha disse ainda saber que António Fidalgo costumava pôr a língua de fora e lamber-se. Uma situação que nunca tinha sido descrita nas audiências, nem pelas próprias queixosas. Questionada pelo procurador do Ministério Público, sobre se não achava estranho elas terem aguentado a coacção durante tanto tempo, Ana Paula Andrade disse que eventualmente elas tinham medo e vergonha.A última testemunha da sessão foi Alda Carvalho, chefe da divisão jurídica e notarial. A funcionária vai continuar a ser ouvida no dia 4 de Agosto, mas antes da audiência ter sido interrompida garantiu que entre o pessoal da câmara falava-se que “o vereador tinha a mania de pôr a mão”.
Uma pessoa “prepotente e inconstante”

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