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Falta de condições origina carne de má qualidade

Falta de condições origina carne de má qualidade

Transporte de animais
Edição de 28.07.2004 | Economia
O professor da Faculdade de Medicina Veterinária George Stilwell defendeu quinta-feira que o mau transporte de animais para consumo dá origem a carne de má qualidade. O docente foi o organizador de um simpósio que decorreu sexta-feira no auditório principal da Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), em Lisboa, subordinado ao tema “O transporte animal em Portugal”.George Stilwell, que foi o primeiro orador neste encontro, explicou à Agência Lusa a oportunidade de falar sobre este tema, lembrando que em breve a legislação sobre transporte de animais poderá ser alterada.A alteração da legislação sobre transporte de animais há muito que é reivindicada pelos defensores do bem-estar animal. Para George Stilwell, além do bem-estar dos animais está em causa a segurança da alimentação do homem: “Um mau transporte dá origem a carne de má qualidade, principalmente no caso dos suínos”, disse.O professor explicou que os animais que sofrem agressões - voluntárias ou por má acomodação durante o transporte - têm hemorragias e que estas deterioram a carne. Este facto e outros “mais subtis” estão “provados cientificamente”, assegurou o especialista.No simpósio participaram vários especialistas, entre os quais Donald Broom, da Universidade de Cambridge e relator de um documento que serviu de base à proposta da Comissão Europeia de alteração da legislação sobre o transporte de animais.Em 2003, o Ministério da Agricultura detectou 282 casos de irregularidades no transporte de animais para consumo humano, segundo o Relatório de Segurança Alimentar e Sanidade Animal.O documento, que reúne as acções de inspecções e fiscalização realizadas pelo Ministério da Agricultura, refere que a nível das medidas de protecção e bem-estar animal nas explorações, no abate ou durante o transporte foram feitos 1.058 controlos. Destas acções resultou a abertura de 14 processos de contra-ordenação. Especificamente relacionadas com o transporte de animais foram detectados 282 casos irregulares.O mesmo documento adianta que a Direcção-geral de Veterinária (DGV) registou 210 casos de animais não identificados segundo as normas, sete casos de falta de higiene em matadouros e 5.155 atrasos ou ausências de comunicações ao Sistema Nacional de Identificação e Registo de Bovinos (o sistema que permite fazer o rastreio dos animais).Ainda no ano passado o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR tinha detectado, num só dia de 2003, 49 veículos em situação ilegal, dos 50 que inspeccionou.Segundo o coordenador do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), Jorge Amado, praticamente todos aqueles veículos de transporte apresentavam situações irregulares, que resultavam no sofrimento dos animais que se destinavam a abate e posterior consumo humano.“Animais feridos, transportados há demasiado tempo - sem paragens para descansar, comer e beber -, em número excessivo e sem o devido boletim exigido para o abate” foram as principais irregularidades detectadas pelo SEPNA em 2003.Lusa
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