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Uma profissão à medida

Pedro Santana gosta de ser medidor orçamentista

Deixou de estudar no 12.º ano e entrou no mundo do trabalho. Foi empregado de balcão, carpinteiro de construção civil até que foi chamado para frequentar um curso de medidor orçamentista no Centro de Emprego de Tomar e ficou como efectivo na firma onde fez o estágio curricular. Pedro Santana acredita que encontrou a profissão ideal.

Edição de 27.07.2004 | Identidade Profissional
Pedro Santana, 22 anos, medidor orçamentista, é um dos exemplos de sucesso dos cursos de formação profissional ministrados pelos centros de emprego. Pedro acabou o 12.° ano na área de científico-naturais e deixou de estudar. Guardou barcos numa empresa onde já fazia umas horas enquanto estudante, foi empregado de balcão na mesma firma, até que optou por trabalhar na construção civil, como aprendiz de carpinteiro.Entretanto, inscreveu-se no centro de emprego e passado algum tempo foi chamado para frequentar um curso profissional de medidor orçamentista. “Juntava a construção civil com a matemática e isso agradou-me”, conta Pedro Santana. No secundário a disciplina que assusta muito alunos nunca lhe meteu medo, antes pelo contrário. Embora se não tivesse trocado os livros pelo emprego pensasse numa carreira ligada às armas ou à enfermagem.Durante nove meses aprendeu toda a teoria necessária para calcular a quantidade de materiais necessários à execução de obra e fazer os respectivos orçamentos, respeitando as exigências do projecto. Depois passou à prática. “O curso contempla dois meses e meio de estágio para podermos aplicar o que aprendemos nas aulas teóricas, porque na prática as coisas são um pouco diferentes”.No fim do estágio curricular foi-lhe proposto um outro de carácter profissional e nove meses depois entrou para a empresa como efectivo. “Tive sorte, mas ao princípio foi um pouco difícil. Tinha medo de enganar-me, de fazer alguma coisa mal feita”, diz.Natural de Sesmarias, freguesia tomarense de Olalhas, onde continua a residir, Pedro Santana chega aos escritórios da Alpeso – Construções, S.A., também em Tomar, às 09h00. Trabalha até às 12h30, regressa às 14h00 e sai às 18h00. Raramente leva trabalho para casa, mas por vezes ao fim do dia tem a cabeça cheia de números. Todos os materiais, da pedra ao tijolo, dos azulejos à madeira, tudo tem que ser rigorosamente medido e orçamentado. “Os projectos só indicam o cimento, a areia e a brita, o resto tenho de seu eu a fazer com a ajuda do engenheiro com quem trabalho”, continua. Algumas tabelas ajudam as contas, mas há sempre coisas novas. “Nunca há uma obra igual e começa logo pelas características do solo em que vai ser construída”, esclarece Pedro Santana. Quanto ao tempo que demora a fazer as medições e o orçamento de uma obra, é tarefa difícil de calcular. Mas, muito genericamente, um prédio de três pisos, com seis apartamentos, pode demorar uma semana de contas.“São cálculos muito por alto, porque depois temos de saber se é uma arquitectura mais clássica ou mais arrojada, o tipo de madeiras que o arquitecto projectou, todas as coisas das maiores às mais pequenas”. Paralelamente há que saber os custos dos materiais e quando se pedem acabamentos menos usuais muitas consultas telefónicas têm de ser feitas para encontrar o melhor preço.Mas Pedro Santana gosta de Matemática e de fazer contas. O menos interessante é preencher os formulários para os concursos de obras públicas. “É muito burocrático, mas tem de ser feito faz-se”.O tempo que passou na construção civil, apesar de ser um trabalho bem diferente da sua profissão actual, ajudou-o a perceber o que lhe ensinaram no curso. “Já estava mais integrado”. Por outro lado, tinha feito Matemática de 12.º ano o que também contribuiu para facilitar a tarefa. “Ter podido juntar as duas coisas foi muito bom”, conta acrescentando que está na profissão ideal.Os seus colegas de curso, na maioria raparigas, nem todos tiveram a mesma sorte, mas para Pedro Santana o curso de medidor orçamentista foi o ideal. “Se tivesse continuado a estudar depois do 12.º ano e entrasse para um curso de enfermagem ou para a carreira militar penso que já estava arrependido”.

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