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Professor e agricultor nos tempos livres

Carlos Nunes está pelo terceiro ano à frente da Junta de Freguesia da Serra
Edição de 27.07.2004 | O poder local aqui tão perto
Carlos Duarte Nunes, 51 anos, é professor do ensino secundário na área da construção civil - “como não podia deixar de ser”, diz meio a brincar. Nascido e criado na Serra, foi mais um dos muitos que imigraram para Lisboa, onde se formou. Em 1986 veio fazer um estágio à Escola Secundária Jacome Ratton (Tomar) e acabou por regressar à terra.Foi nesse mesmo ano que recebeu o convite para entrar na política, por alguém do Partido Social Democrata, mas diferendos com algumas personalidades do partido levaram-no a rejeitar e a aparecer como cabeça de cartaz nas listas do CDS. Que ganhou as eleições na Serra.Diz que o seu partido é o partido da população. Talvez por isso o independente tenha concorrido nas últimas eleições pela lista do PSD, sanadas que ficaram as desavenças. E voltado a ganhar a junta.É calmo e ponderado, capaz de reunir consensos. Mas quem lhe pisa os calos tem-no à perna, não fosse ele do signo escorpião. Tem de conciliar a presidência da junta com as aulas na escola e a família, que acaba quase sempre por sair prejudicada, principalmente a mulher, Maria Fernanda, que muitas vezes fica sozinha em casa.Os dois filhos do casal há muito que deixaram a terra. Nuno Filipe é engenheiro agrónomo e passou os últimos oito meses em Timor, enquanto Ana Sofia está em Lisboa, no quarto ano de arquitectura paisagista.Ao contrário do filho, que já conhece os quatro cantos do planeta, Carlos Nunes só saiu do país para visitar Espanha. Porque o seu pior medo é meter-se dentro de um avião. “Só algum dia andarei de avião se for obrigado, nunca de livre vontade”. Este ano está a pensar ir até França mas de autocarro, numa excursão.Gosta mais de fazer do que comer petiscos. O gosto pela cozinha vem do tempo em que viveu sozinho em Lisboa, onde fazia tudo em casa, menos lavar e passar roupa. Ainda hoje, quando tem tempo, gosta de meter a colherada. Refeições feitas com produtos que colhe da sua própria horta – couves, alfaces, pepinos, pimentos, cebolas – e regadas de preferência com o vinho que as suas parreiras dão.Sportinguista convicto – “é o melhor clube do mundo” – já assistiu a muitos jogos no estádio mas hoje prefere ficar no sofá. Mas ainda não perdeu a esperança de visitar a sua nova “catedral”.Desportista, joga futebol todas as semanas com um grupo de amigos. E para quebrar a adrenalina dedica-se à pesca, um desporto onde a paciência é testada ao limite. “Quando estou com stress pego na cana e na isca, vou para a beira da água e esqueço o mundo”.Diz que, em termos pessoais, só lhe falta escrever um livro. “Já fiz dois filhos e plantei muitas árvores”. Mas ainda não sabe quando pegará na prosa.

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