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Peças de museu vendidas para a sucata

Peças de museu vendidas para a sucata

Câmara “despacha” autocarros antigos e máquina de fiação que não lhe pertenciam

Dois autocarros antigos e parte de uma máquina de fiação de cânhamo pertença do Museu de Etnografia e Arqueologia Industrial de Torres Novas foram vendidos para a sucata pela câmara municipal.

Edição de 28.07.2004 | Sociedade
José Ribeiro Sineiro, um dos directores do Museu de Etnografia e Arqueologia Industrial, ficou profundamente indignado quando soube que dois autocarros cedidos a essa entidade pela antiga Rodoviária Nacional e parte de uma máquina de fiação de cânhamo, doada pela Companhia Nacional de Fiação de Torres Novas, tinham sido incluídos num lote de ferro velho e vendidos como sucata pela Câmara de Torres Novas. Mais se insurge quando, da parte da câmara, não consegue obter qualquer justificação. “Ninguém parece saber de nada. Dizem que as peças faziam parte de um lote e foram vendidas juntamente com outros objectos, sabe-se lá para onde”. Além de pertencer à direcção do museu, José Ribeiro Sineiro foi um dos seus fundadores e trabalhou na recolha das máquinas e outros objectos que constituem o acervo museológico. Desde que foi inaugurado, em Julho de 1986, que o Museu de Etnografia Industrial se encontra provisoriamente instalado na antiga garagem dos Claras, no Largo General Baracho. Possui peças únicas no país e é considerado o maior acervo de maquinaria de fiação industrial.A falta de espaço para peças tão volumosas fez com que os dois autocarros, um da antiga empresa Capristanos e outro da Belos, ficassem guardados na fábrica do álcool, desactivada há largos anos, junto ao jardim da avenida, também em Torres Novas, para onde está projectada a futura biblioteca da cidade.“Não foi só a falta de espaço da garagem. Foi também a falta de vontade da câmara que nunca nos emprestou uma máquina para arrumarmos as peças que lá estão de forma a arranjar lugar para os autocarros e o resto da máquina de fiação de cânhamo. Para o transporte destas peças também precisávamos de ajuda da autarquia”, acusa José Ribeiro.Na destilaria as peças estavam pouco cuidadas e José Ribeiro já tinha alertado para as taparem com oleados. Mas “ninguém ligou nenhuma”. Tanto assim que resolveram fazer um lote e mandar tudo para sucata.“Falei com o chefe do gabinete do presidente da câmara, Manuel Piranga, que diz que não sabe de nada”, continua José Ribeiro questionando se nem sequer se perguntaram de quem seriam os autocarros: “Se a câmara nunca teve autocarros eles tinham de ser de alguém. Ninguém pode vender o que não lhe pertence”.“Sucata” seguiu para AbrantesManuel Piranga, chefe de gabinete do presidente da Câmara de Torres Novas, confirmou a O MIRANTE que os autocarros fizeram parte de um conjunto de 13 lotes que a autarquia vendeu para uma empresa de reciclagem de Abrantes. A “sucata” foi vendida há largos meses, mas só na passada semana os compradores vieram buscá-la. Os lotes foram organizados pela Divisão de Património da câmara, mas sobre este assunto, e devido ao período de férias, Manuel Piranga não adianta muitos pormenores: “Pelo que me disseram, a responsável pela Divisão do Património contactou todos os departamentos da câmara e ninguém levantou problemas à venda dos autocarros. No entanto, como ela está de férias, não posso confirmar”.Entretanto, a Associação Amigos dos Autocarros já contactou a câmara para tentar saber a matrícula das viaturas e salvá-las. Margarida Trincão
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