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Uma alfaia do cantor para o Museu agrícola

Pedro Barroso encerra festa da Bênção do Gado

“Não é uma alfaia agrícola, mas é uma alfaia de um artista de Riachos.”. Foi com estas palavras que o cantor Pedro Barroso ofereceu a sua primeira viola de 12 cordas ao director do Museu da sua terra natal. A singela cerimónia aconteceu domingo no concerto de encerramento da Festa da Benção do Gado.

Edição de 04.08.2004 | Cultura e Lazer
“A perninha da menina” e “Viva quem canta” foram a chave para animar o público que, no domingo, assistiu ao concerto de Pedro Barroso no encerramento da Bênção do Gado, em Riachos. Os dois velhos temas continuam a ser os grandes êxitos do intérprete e compositor riachense.A assistência vibrou também com a rapsódia que Pedro Barroso interpretou para relembrar os 30 anos do 25 de Abril. Pequenos trechos de temas interpretados por Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Francisco Fanhais ou Manuel Freire. Os poemas de Ary dos Santos e a música de Carlos Paredes.Pedro Barroso, que este ano comemora 35 anos de carreira - estreou-se em 1969 no programa televisivo Zip Zip - não deverá voltar a cantar em Riachos, segundo a sua perspectiva. “Trinta e cinco anos são muitos concertos, muito cansaço. Vou continuar a compor e a escrever, por enquanto não recusarei nenhum concerto, mas quando se realizar nova Bênção do Gado se calhar já estarei mais retirado”, disse a O MIRANTE.E porque foi o último concerto, o músico e intérprete quis oferecer à sua terra um instrumento que o acompanhou ao longo de todos os anos. Emocionado entregou ao director do Museu Agrícola de Riachos, Luís Mota, a sua primeira viola de 12 cordas. “Não é uma alfaia agrícola, mas é uma alfaia de um artista de Riachos.No concerto, Pedro Barroso cantou temas de todos os anos de carreira e divulgou algumas canções do seu mais recente trabalho discográfico “Navegador do Futuro”. A canção que dá título ao CD, teve a colaboração do filho, Nuno Barroso. Foi escolhida para a capa porque é a que melhor define a postura do músico. “Vivo num país invadido pela menoridade cultural”, “de subsídio atribuídos pelo “amiguismo”, segundo critérios “indizíveis e muito pouco transparentes”.Crítico e deixando transparecer algum ressentimento por não ter o lugar que entende merecer, Pedro Barroso diz que já cantou em locais onde nenhum cantor chegou e recusa-se a fazer “pechisbeque”. “Quero tocar em auditórios com pianos de cauda”, desabafa.Durante o concerto, Pedro Barroso fez várias referências à música pimba, do facilitismo e do “bacalhau quer alho”. A seu entendimento de arte e cultura não passa por estes fenómenos efémeros. A arte é um valor sagrado e duradouro e é por essa “sacralidade” que vai continuar a lutar através da sua música e dos seus livros.

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