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Areeiros saem das proximidades da Ponte da Chamusca

Areeiros saem das proximidades da Ponte da Chamusca

Prevenir para não remediar

Os dois areeiros que actualmente laboram junto à ponte da Chamusca – Aspor e Alberto Marques Nunes – vão ter de deslocar a sua actividade para outra zona, mais longe da travessia. A decisão é da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo e é tomada como medida de precaução.

Edição de 04.08.2004 | Economia
O relatório do Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (LNETI) diz que a extracção de inertes não causa perigo imediato para a ponte João Joaquim Isidro dos Reis, mais conhecida como ponte da Chamusca. Mesmo assim o ministério do Ambiente e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo preferem jogar pelo seguro, exigindo a deslocação da actividade aos dois areeiros que actualmente ali laboram.Apesar de não haver perigo imediato para a ponte, a auditoria efectuada refere que a continuação da extracção de areias naquele local poderá causar perigo futuro. Para prevenir qualquer futura anomalia na travessia, até porque a tragédia de Entre-os-Rios ainda está na memória dos portugueses, a CCDR exigiu à Aspor – Areias e Seixos de Portugal e à firma Alberto Marques Nunes Lda que até Setembro encontrassem um local alternativo.O ministério do Ambiente confirmou ao nosso jornal a decisão e o prazo estipulado para o fim da extracção de areia junto à ponte da Chamusca. Assim como o facto de o relatório efectuado pelo LNETI não afirmar taxativamente que a ponte está a ser prejudicada pelos areeiros. Para Miguel Braga, assessor do ministro do Ambiente, a decisão tomada é apenas uma medida cautelar.Sem pretenderem ir contra uma decisão estatal as duas empresas referem no entanto ter plena consciência de que a sua actividade não está a causar quaisquer problemas à estrutura da ponte. O próprio relatório do LNETI, diz António Lourenço, director da ASPOR não é conclusivo relativamente às consequências que podem advir para a ponte relativamente à extracção de areia.Para Vítor Nunes, um dos proprietários da Alberto Marques Nunes, Lda, a saída extemporânea dos areeiros daquele local não se prende com o equilíbrio da ponte mas sim com outros interesses. “Nenhum dos areeiros tira areia abaixo da quota do pilar, até porque a própria natureza do rio não o permite”, refere o empresário.Em Fevereiro deste ano, os dois areeiros foram obrigados a suspender a laboração, para o Instituto de Estradas de Portugal (IEP) fazer uma primeira avaliação da situação da ponte. Foi nessa altura que tiveram as primeiras indicações de que não deveriam permanecer por mais tempo naquele local.Novas localizaçõesApesar das críticas, os responsáveis dos dois areeiros afirmam que irão acatar a decisão da CCDR porque não querem “litígios com o Governo”. É por isso que as duas empresas já avançaram na procura de novos espaços para a sua actividade. A Alberto Marques e Nunes, localizada na freguesia de Pinheiro Grande já alugou até um terreno em São Caetano, no concelho vizinho da Golegã.A ASPOR tem dois ou três locais que podem ser alternativa à sua actual localização, a poucos metros da ponte, do lado da Golegã, um dos quais se situa também em São Caetano, a poucos metros do seu concorrente. Um local aliás, onde já laboram mais dois areeiros, um do empresário João Salvador (Tomar) e outro da Construtora do Lena (Leiria).A deslocalização de uma actividade empresarial traz sempre custos acrescidos para as empresas. A ASPOR, firma de capitais holandeses, diz ainda não ter contabilizado os custos que a mudança implica mas António Lourenço considera que o prejuízo tem de ser avaliado também em função de outros factores, como a possível perda de clientes.Em termos de localização, a Alberto Marques e Nunes, Lda, até ficará beneficiada com a mudança. Pelo menos em termos comerciais. “O grosso dos nossos clientes situa-se a norte e por isso o novo acesso à melhor”.Apesar disso, diz Vítor Nunes, só a mudança implicará um custo que ronda os 350 mil euros, alguns dos quais gastos no alcatroamento de 2,5 quilómetros de estrada.Caso os dois areeiros venham a implantar-se em São Caetano passarão a extrair areia a cerca de seis quilómetros dos pilares da ponte da Chamusca, bastante mais distante do que os actuais 1,5 quilómetros.Margarida Cabeleira
Areeiros saem das proximidades da Ponte da Chamusca

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