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De volta do torno e da freza

De volta do torno e da freza

O sonho de Marco Marques é envergar uma farda militar

Tem apenas 18 anos mas já ganhou o primeiro lugar num concurso regional de formação profissional, na área da serralharia mecânica. Marco Paulo Nunes Marques afirma-se um perfeccionista na arte de trabalhar o ferro e o aço. Mas o seu sonho é trocar as botas de biqueira de aço pela farda da tropa.

Edição de 04.08.2004 | Identidade Profissional
A bata azulada que enverga no trabalho ainda ostenta a sigla do Instituto de Emprego e Formação Profissional, apesar de Marco Paulo Nunes Marques ter já terminado o curso de serralharia mecânica há ano e meio, no Centro de Formação Profissional de Tomar.Todos os dias, entre as oito da manhã e as cinco da tarde, Marco trabalha o ferro e o aço no torno e na freza na empresa onde foi pedir emprego quando acabou o curso. É um trabalho duro, que deixa as mãos encardidas e as unhas escuras, mas o serralheiro já está habituado.Mais habituado que às botas de biqueira de aço. “São pesadas e desconfortantes”, refere o jovem. Mas são a sua mais preciosa protecção. É que levar com um ferro no pé não deve ser pêra doce.Quando entrou no curso de serralharia mecânica, não fazia a mínima ideia do que isso poderia ser. Hoje trabalha com medidas “microscópicas”, como o paquímetro, que divide o milímetro em 10 ou 20 partes ou o micrómetro, que divide o milímetro em 100 partes.Marco gosta de que faz e diz-se um perfeccionista, mesmo que o trabalho leve um pouco mais de tempo. Porque depressa e bem não faz ninguém, como diz o ditado.Mas sente-se “enjaulado” por passar o dia inteiro dentro da oficina. “É um bocadinho frustrante”. Como frustrante é o ordenado que recebe no final do mês. “hoje em dia o ordenado mínimo não chega para nada”.Marco quer garantir rapidamente o seu futuro. Por isso, diz, quando acabar de tirar a carta de condução vai à procura de novas oportunidades dentro da sua área. “Tenho colegas meus que estão em empresas a receber mais do dobro do que ganho e sabem fazer exactamente o mesmo que eu”, refere o jovem.Com alguma modéstia, uma vez que, em Maio deste ano, ganhou o primeiro lugar, na profissão de serralheiro mecânico, no concurso regional de formação profissional que decorreu em Santarém.A prova foi feita em 22 horas, repartidas ao longo de uma semana. No final, o júri atribuiu-lhe a pontuação de 180 pontos, num máximo de 200. Pela perfeição do corte da peça.Esse prémio levou-o a ser também um dos escolhidos para representar a Região de Lisboa e Vale do Tejo no Campeonato Nacional das Profissões, que irá decorrer em Aveiro durante o mês de Novembro.O baixo vencimento que aufere é de algum modo compensado pelo facto de não ter de gastar dinheiro em transportes públicos. A empresa onde trabalha fica situada na Torre, aldeia do concelho de Tomar onde Marco Marques reside. Por dia, percorre aquele caminho a pé quatro vezes, uma vez que vai almoçar a casa. Mas no Inverno já chegou a levar o carro. Que comprou mesmo antes de tirar a carta. “Gosto de ter as minhas coisas e aproveitei uma boa oportunidade”.Foi também por uma “boa oportunidade” que deixou a escola aos 15 anos, depois de ter terminado o nono ano de escolaridade. Porque queria ganhar rapidamente a sua independência financeira andou durante mais de um ano pelo Alentejo e Algarve, integrado numa equipa responsável por iluminações festivas.Era um trabalho duro, principalmente quando o calor apertava, mas ganhava-se bem e Marco Marques foi-se deixando ficar. Até que o irmão mais velho decidiu deixar a empresa. E o jovem veio atrás.Entrou no curso de formação por intermédio de um vizinho, professor no Centro de Formação Profissional. Queria tirar electricidade mas acabou por ir parar a serralharia mecânica. Não está desiludido com a profissão mas tem um sonho – poder exercer a actividade num dos ramos das forças armadas, preferencialmente no exército ou força aérea. E ouro sobre azul seria fazer missões no estrangeiro, conhecer outras realidades.“O meu sonho é envergar uma farda”, diz Marco Marques. E aos 18 anos, quem não sonha assim?Margarida Cabeleira
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