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Um ordenado em vez de um subsídio

Maria Silva frequenta o curso de auxiliar de jardinagem

Está a receber o Rendimento Social de Inserção e frequenta um curso de auxiliar de jardinagem. O dinheiro que recebe do Estado permite-lhe viver com um mínimo de dignidade, mas Maria Silva sabe que não é para sempre. Nem ela quer. E já sonha com um emprego.

Edição de 04.08.2004 | Sociedade
Assim que toca a campainha na casa de Maria Silva, 41 anos, o mais novo dos três filhos, de dois anos de idade, corre até à porta e aparece de pé descalço sobre o soalho de madeira que ainda cheira a cera.É quase hora do jantar. Na cozinha estendem-se sobre a caixa de madeira dois papo-secos. “Tinha tirado o pão para eles lancharem, mas não quiseram”, explica Maria, enquanto volta a guardá-los cuidadosamente no saco de pano. Em cima do fogão há dois tachos com comida pronta a aquecer. Os 300 euros da prestação mensal do Rendimento Social de Inserção (RSI) ajudam a endireitar um pouco mais a vida daquela família. Em 1997 Maria Silva ficou viúva do pai dos seus dois filhos mais velhos e viu-se sem emprego ou qualquer rendimento. Alguém lhe falou na ajuda da segurança social e dirigiu-se à Casa do Povo do Cartaxo para se candidatar ao apoio.Depois de alguns meses sem receber a ajuda, por ter mudado temporariamente de casa, voltou a poder contar com a prestação que a ajuda a sustentar o filho mais novo que entretanto nasceu, fruto de uma relação com um companheiro que raramente aparece.A ajuda dilui-se facilmente nas contas que há para pagar. “Só a renda de casa são 156 euros”, contabiliza. Ficam depois as outras despesas com a água, a luz, o gás e a comida. Todos os meses tem que guardar ainda 100 euros para a ama do seu filho mais novo.Em Dezembro do ano passado iniciou um curso de auxiliar de jardinagem, incluído no programa do RSI. Está actualmente a efectuar o estágio na freguesia de Vale da Pinta (Cartaxo), onde reside.A sua função é arrancar as ervas daninhas, tratar os espaços verdes e recolher as folhas secas que caem sobre os canteiros das flores. A proximidade da residência permite-lhe ir a casa a pé para almoçar. Maria Silva está entusiasmada. “É uma abertura para o mercado de trabalho, em vez de estar sempre dependente do rendimento mínimo”, reconhece.Graças à ajuda do RSI a filha, de seis anos de idade, irá frequentar o primeiro ano da escola e o mais velho, 14 anos, transita para o sétimo. Maria sabe que vai ser difícil esticar a prestação durante todo o mês, mas tem consciência que sem o apoio seria impossível mantê-los na escola.Em Abril de 2005 quando o estágio acabar tem esperança de poder conseguir um contrato e libertar-se do sistema que a tem apoiado. Quem sabe na Junta de Freguesia onde trabalha. “A ajuda não é para toda a vida e eu prefiro ter um ordenado em vez de um subsídio. Quero começar uma vida nova”.

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