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José Vasques no desemprego depois de levar o Abrantes até à II divisão B

A vida difícil dos treinadores de futebol no distrito de Santarém

Nas duas últimas épocas levou o Abrantes Futebol Clube dos distritais à II Divisão B mas agora está no desemprego. É assim a vida de treinador de futebol e José Vasques é apenas mais um exemplo. Sem clube para treinar, vai aproveitar a pausa para avançar com o mestrado em ciência do futebol e enriquecer o currículo com estágios junto de equipas da SuperLiga.

Edição de 11.08.2004 | Desporto
Não é nada fácil a vida de treinador de futebol no distrito de Santarém e, curiosamente, são na generalidade os técnicos com melhor currículo os que, época a época, mais ficam no desemprego.José Vasques é um desses casos. Com uma folha de serviços de fazer inveja, que culminou com a subida do Abrantes à II Divisão B, depois de ter trazido o clube dos distritais, não tem clube para treinar, e aposta agora na conclusão da tese de mestrado em ciência do futebol.Se para José Vasques a saída do Abrantes foi como que o acabar de um ciclo que durou dois anos e meio, a opção pela conclusão do mestrado apenas é determinada pela falta de convites para treinar. “Ainda houve hipóteses de ficar no Abrantes mas, no fim, chegámos à conclusão que dois anos e meio já era um período longo e por isso entendemos que o ciclo tinha chegado ao fim. Agora não estou a treinar porque não tive convites para o fazer”, revelou o técnico.Após a saída do Abrantes Futebol Clube, onde demonstrou toda a sua grande capacidade, levando, em dois anos e meio, a equipa da primeira divisão distrital até à II divisão B, José Vasques apenas foi sondado para treinar a Selecção Nacional Feminina. “Mas depois de algumas conversas a opção da Federação Portuguesa de Futebol foi outra”, esclareceu.José Vasques recusa a ideia de que é um treinador caro para as fracas posses dos clubes ribatejanos. Para ele, um técnico é caro ou barato consoante os resultados que apresenta. “No meu caso os resultados falam por si”.O técnico, que se considera um dos maiores credores dos clubes do distrito de Santarém porque diz ter “muito dinheiro espalhado por ai”, compreende as opções dos dirigentes quando, no início da época, optam por treinadores mais baratos, mas refere que nem sempre essa é a melhor solução, porque a meio da época lá têm que mudar e depois gastam ainda mais, porque a opção não foi a melhor. Esclarece, no entanto, que o Abrantes nada lhe ficou a dever.José Vasques não está contra as opções dos clubes e muito menos coloca em causa as capacidades dos seus colegas treinadores. O que gostava era de continuar a treinar, mas reconhece que a situação financeira dos clubes não é a melhor, e isso é penalizante para os técnicos de maior currículo. “Existe a ideia, errada, de que são treinadores muito caros”.Mas o desemprego forçado não vai ser uma paragem na vida de treinador de José Vasques, que vai aproveitar para preparar e apresentar a tese de mestrado, na área da ciência do futebol. Uma meta que vinha sendo adiada por falta de tempo para estudar. Vai também ver muitos jogos e fazer alguns estágios junto de equipas técnicas de clubes da SuperLiga, para actualizar e aferir os seus métodos de trabalho.“Não vou ficar parado à espera. Vou à luta para que quando for solicitado esteja à altura de continuar a desenvolver um trabalho igual ou ainda melhor do que o que fiz até aqui”, reforça o técnico que deixou um rasto de categoria em clubes como o Torres Novas, Fátima e Abrantes, entre outros.

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