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Retumbante Manuel Serra D’Aire

Retumbante Manuel Serra D’Aire

Edição de 10.08.2004 | E-mails do outro mundo
Tu aí a bulir e eu aqui de papo para o ar, curtindo o marulhar do mar e fisgando à má fila o feitio de tangas e biquinis que vão desfilando sob o meu horizonte visual. Mas não desanimes, a tua vez há-de chegar e, além disso, o trabalho dá muita saúde. Os hospitais, aliás, estão cheios de bons exemplos. Manel, quando um gajo chega à idade das tromboses começa a preocupar-se com a longevidade de uma forma quase paranóica. Já fiz os meus planos e tenho intenções de me reformar até aos 120 anos e depois ainda gozar outros tantos à boa vida. Já fiz as contas e não há que enganar. Tudo começou quando li que deixar de fumar dava mais dez anos de vida. Decidi imediatamente acabar com os cigarros e acrescentei nesse instante uma década à minha carcaça. Mas não fiquei contente com isso e comecei a matutar no assunto. Se deixar de fumar dá dez anos de vida, deixar de circular nas estradas portuguesas deve dar pelo menos outros tantos. Assim, decidi pura e simplesmente não andar mais de automóvel em Portugal. O meu médico sublinhou que tinha aumentado substancialmente a minha esperança de vida, mas que ainda poderia melhorar a performance se me encharcasse de vegetais e deixasse de comer carnes vermelhas. Como não aprecio o Benfica, o sacrifício não foi por aí além e mais dez anos já cá cantam. A minha fixação em me transformar num Matusalém do século XXI começou entretanto a tornar-se obsessão. Para ir buscar mais 20 anos comecei a praticar desporto, desde remo a ginástica, passando pelo ciclismo e atletismo. Deixei de ver o Manuel Luís Goucha e a Teresa Guilherme na televisão, passei a ser adepto do Porto para prevenir problemas cardíacos e foi-me aconselhado que me afastasse o mais possível de políticos para não contrair doenças venéreas. Esta última não percebi, mas acabei por acatar… Outra atitude importante para prolongar o nosso tempo de vida é não ter relações com gajas de má reputação, com o Estado e com as suas repartições. Evitar balcões dos CTT, repartições de Finanças, conservatórias, tribunais e canis municipais é absolutamente primordial. Decisivo. Uma exposição demorada em qualquer desses locais pode levar a morte prematura. E frequentá-los, mesmo que só de passagem, mais que uma vez por mês, pode causar infertilidade a partir dos 90 anos. Todos esses cuidados são muito importantes, mas a melhor ainda estava para vir. Uma notícia que saiu em quase todos os jornais, Diário da República incluído, diz que investigadores britânicos garantem que o consumo moderado de cerveja ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e não causa barriga. Este é mais um sinal evidente da existência de Deus! Aleluia! Dessas coisas vasculares já não morro, isso é certinho! Por falar nisso, está na hora de fazer a comemoração diária dessa boa nova na esplanada mais próxima. À tua saúde!Um bacalhau na brasa do Serafim das Neves
Retumbante Manuel Serra D’Aire

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