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Trabalhar em África

Trabalhar em África

Aventuras e desventuras das empresas da região

As empresas que se aventuram a trabalhar em África têm mil e uma histórias para contar. Histórias de dificuldades que o comum do ocidental nem sequer consegue imaginar. Falta tudo. Mesmo tudo. Para encontrar um parafuso ou uma lâmpada é preciso correr mercados populares e candongueiros. E nem sempre se encontra o que se quer.

Edição de 11.08.2004 | Economia
Numa cidade de cerca de três milhões de habitantes encontrar uma simples lâmpada numa loja pode ser tão difícil como achar uma agulha num palheiro. Em 1991 a empresa de Torres Novas TVE – Montagens Eléctricas aventurou-se no mercado angolano, fazendo a manutenção de uma fábrica em Luanda. Desde o simples parafuso, às ferramentas, tudo teve que ir de Portugal… mas isso foi só o início das dificuldades.As poucas lojas que estavam abertas, conta Jorge Pereira, director da empresa, não tinham quase nada. Quando faltava uma peça, um cabo eléctrico, era preciso telefonar para a sede da empresa em Portugal a solicitar o seu envio. Por vezes os funcionários da empresa percorriam os mercados locais, mas mesmo aí era complicado encontrar o produto necessário. Prevendo estas dificuldades, a empresa teve que fazer um planeamento exaustivo do trabalho que ia ser desenvolvido antes de se instalar em território angolano. Tudo pensado ao milímetro, porque a mínima falha podia fazer parar o trabalho alguns dias. Foi preciso contabilizar todas as ferramentas necessárias para as tarefas e contar com os imprevistos. A TVE embarcou o dobro do que precisava. Ferramentas repetidas. Materiais em excesso. Os trabalhadores também tiveram que ir de Portugal, porque não havia pessoas com formação para recrutar no mercado de emprego de Angola. As dificuldades acabaram por fazer com que a empresa desistisse do sonho africano. Mas as contrariedades africanas não se resumem às condições de trabalho. Os problemas de alojamento, de abastecimento de água e de mecanização também dificultam a vida às empresas. Que o diga Emílio Besteiros, gerente da FerroTemplários, de Tomar, que já foi vítima de várias peripécias em países africanos onde a empresa tem negócios. Na Guiné, num hotel de 3 estrelas, Emílio Besteiros deparou-se com um balde de água ao lado da banheira. Uma situação de recurso para evitar que o banho ficasse a meio quando faltasse a água nas torneiras. O gerente da FerroTemplários, que comercializa materiais de construção e ferragens, também já esteve em Moçambique mas as condições que encontrou não eram melhores. As casas de banho não tinham toalhas porque a água não corria nas torneiras, tornando o acessório desnecessário. Emílio Besteiros apercebeu-se ainda que a mecanização nos países africanos não é tarefa fácil. “É quase impossível abrir uma vala com uma máquina, porque isso implica que dezenas de trabalhadores, que só sabem cavar, fiquem sem emprego”, explica. Como comprovam os testemunhos do gerente da empresa de Tomar, as condições em África não melhoraram substancialmente desde que a outra empresa da região, a TVE, teve a sua primeira experiência. Mas mesmo assim o director da TVE quer fazer uma segunda tentativa e prepara-se para participar no projecto de construção de um comboio que vai fazer a desmatação das linhas de caminho de ferro angolanas. Um regresso a África que o director da empresa sabe que não será fácil, mas que espera ser um pouco melhor que a última experiência.
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