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Em vez da sirene toca o telemóvel

Em vez da sirene toca o telemóvel

Novas tecnologias alteram quotidiano dos Bombeiros

A pouco e pouco vão-se calando as sirenes dos quartéis de bombeiros. A chamada dos elementos das corporações para as ocorrências é feita através de mensagens enviadas para telemóveis. O novo método permite seleccionar o número de efectivos necessário. E evita aglomerados de mirones e telefonemas de curiosos.

Edição de 10.08.2004 | Sociedade
Já foi considerado o melhor meio de alerta. Qualquer corporação não dispensava uma potente sirene com a qual chamava os bombeiros para intervir em situação de emergência. Mas os tradicionais toques de aviso, estão a ser ultrapassados pela tecnologia. Os sistemas informáticos com ligação automática aos telemóveis dos bombeiros estão a silenciar as sirenes.Há duas semanas calou-se a sirene do quartel dos Bombeiros Municipais de Coruche, por ordem do comandante da corporação. Alguns populares estranharam a medida e outros criticaram mesmo a atitude dizendo que se estava a quebrar uma tradição. Um dos munícipes manifestou a intenção de apresentar queixa no tribunal pela decisão do comandante Rafael Rodrigues. Costumes à parte, as razões do comandante da corporação são idênticas às de outros colegas da região. Para Rafael Rodrigues evita-se, desta forma, “alarmar a população”. Nos Voluntários de Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, há dois anos que está a funcionar um sistema de alerta via telemóvel. Quando é necessário chamar bombeiros envia-se, através de um sistema informático ligado às operadoras de telecomunicações, uma mensagem escrita. Esse envio pode ser colectivo, para todos os elementos da corporação, ou dirigida só ao número de elementos necessários. Desta forma pode-se seleccionar os bombeiros que interessam para determinado serviço, evitando-se a afluência de grande número de elementos que depois não são precisos. Desde que o sistema entrou em funcionamento as populações deixaram de saber quando há ocorrências e os bombeiros respiraram de alívio. Antes era um martírio sair do quartel porque as pessoas concentravam-se no local, movidas pela curiosidade e atravessavam-se à frente das viaturas de socorro.Em Almeirim o sistema também já substituiu as duas sirenes colocadas na torre do quartel, muito acima dos telhados das habitações. O comandante da corporação, José Alberto Vitorino, defende que “quanto menos as pessoas souberem o que se passa melhor, porque os mirones costumavam dificultar as operações atrapalhando o trânsito e havia o hábito de telefonar para o quartel para saber o que se passava.”. Se em Coruche há protestos pelo silenciamento das sirenes noutros locais há protestos pelo motivo inverso. É o que acontece em Torres Novas. O comandante do Voluntários daquela cidade, Arnaldo Santos dá razão aos vizinhos e diz que nos dias de hoje não se justifica descarregar um monte de decibéis sobre a cidade. Até porque alguns bombeiros não moram no centro da cidade, logo não ouvem a sirene. Mas se nas cidades a tradição está a acabar, nos meios mais pequenos, como a Chamusca, ainda é a sirene o meio usado. No entanto, Pedro Jana, comandante da corporação de Mação reconhece que isso se deve mais a uma questão de hábito, do que outra qualquer. “Muitas vezes tocamos para que a população estar informada. Para se lembrar que os bombeiros vão tendo ocorrências. E nestes meios pequenas as pessoas gostam de saber o que se passa”, explica. Mas, reconhece também, isso tem desvantagens. Assim que a sirene é accionada começam também a tocar a um ritmo alucinante os telefones do quartel. As pessoas na ânsia de satisfazer a curiosidade entopem as linhas telefónicas e podem estar a causar dificuldades a quem precisa de alertar os bombeiros para uma situação de socorro.Toques sem regrasNão há uma ordem ou regra específica que estabeleça o tipo de toques das sirenes. Normalmente o número de toques ou a duração fica ao critério de cada corporação. Em alguns quartéis toca-se continuamente até chegarem os primeiros bombeiros. Noutros os toques podem variar segundo as necessidades. Na Chamusca, por exemplo, toca-se duas vezes quando há acidente e três quando se trata de fogo. Azambuja segue o mesmo exemplo. Em Torres Novas só se acciona o alarme em situações de extrema necessidade e nesses casos não há código nenhum. O bombeiro encarregue de dar o alerta toca as vezes que entender.
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