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Professores condenados por morte de aluno

Professores condenados por morte de aluno

Penas suspensas no Tribunal de Vila Franca de Xira

Os quatro professores acusados de homicídio por negligência na pessoa de um aluno de 13 anos vão continuar em liberdade. O Tribunal de Vila Franca condenou os docentes, mas a aplicação das penas ficou suspensa.

Edição de 10.08.2004 | Sociedade
O Tribunal de Vila Franca de Xira condenou quatro professores a penas de prisão entre 10 e 12 meses por homicídio por negligência. A sentença, lida dia 6 de Agosto, diz respeito ao afogamento de um aluno no rio Tejo, na zona do cais de Alhandra, ocorrido há quatro anos. As penas foram suspensas por ano e meio. A morte de David Ribeiro, de 13 anos, ocorreu a 21 de Junho de 2000, quando 19 alunos do 5ºano da Escola Aristides de Sousa Mendes da Póvoa de Santa Iria se deslocaram de comboio à zona ribeirinha de Alhandra para uma aula de iniciação à canoagem.A Mário Lopes, professor de educação física, foi aplicada a pena mais pesada – um ano de prisão - por, na qualidade de organizador da actividade, não ter cumprido todos os seus deveres. A juíza Raquel Costa considerou que o professor permitiu, e até facilitou, o acesso e a permanência dos jovens numa zona de risco. O aluno David Ribeiro não sabia nadar e o professor estava avisado de que a actividade era só para crianças que soubessem nadar. Os outros três professores condenados foram: Carlos Barros (33 anos), Adelino Mateus (37 anos) e Teresa Diogo (38 anos). Os três tiveram penas de 10 meses de prisão, que também ficarão suspensas durante ano e meio. Adelino Mateus não assistiu ao julgamento por motivos de saúde. O professor ficou bastante afectado pela tragédia e continua em tratamento. O defensores dos arguidos explicaram que a morte do aluno deixou marcas profundas em todos os seus clientes. “Estes professores nunca mais vão querer organizar uma visita de estudo”, disse Ribeiro dos Santos, advogado de Mário Lopes.O dia da tragédiaAlunos e professores chegaram ao cais de Alhandra algum tempo antes da hora marcada para a aula de canoagem. Alguns jovens decidiram tomar banho no Rio Tejo. Foi nessa altura que David Ribeiro, 13 anos, desapareceu. O seu corpo seria recuperado dois dias depois, a cerca de cem metros do local.A defesa do professor Mário Lopes sustentou que o jovem não teria ido tomar banho, mas que caíra inadvertidamente à água uma vez que tinha os ténis calçados e vestia uma t-shirt e calções. A juíza Raquel Costa condenou a atitude permissiva dos professores considerando que não exerceram uma verdadeira oposição para os alunos não entrarem na água, embora não tenha excluído a hipótese de outros factores terem contribuído para a tragédia.Apenas um professor, Carlos Barros, entrou na água para tentar encontrar o aluno desaparecido e foi uma testemunha que tomou a iniciativa de chamar os bombeiros. O organizador da actividade não tinha avisado os colegas que uma das exigências para a participação era saber nadar. Só um dos professores sabia nadar.A suspensão das penas foi decidida por os professores serem pessoas bem integradas na sociedade que nunca tinham sido condenados pela prática de qualquer outro crime. Mário Lopes teve ainda a seu favor o facto de prestar trabalho voluntário como monitor de educação física.Os advogados de defesa vão estudar a sentença para equacionar um eventual recurso. Os defensores desconhecem qualquer pedido de indemnização cível por parte dos pais da vítima que não assistiram ao julgamento.Nelson Silva Lopes
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