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Comandantes não querem cadetes nas frentes de fogo

Comandantes não querem cadetes nas frentes de fogo

Bombeiro ferido em Santa Margarida já saiu do hospital

Os cadetes das corporações de bombeiros não devem ser usados na frente de fogo, mas isso não evitou que um elemento dos voluntários de Constância, com 16 anos, ficasse ferido. O coordenador distrital dos bombeiros diz que é difícil controlar a situação e que é necessário cativar os jovens.

Edição de 11.08.2004 | Sociedade
O bombeiro de 16 anos da corporação de Constância, que ficou ferido no incêndio de Santa Margarida, já saiu do hospital. Luís Estrela teve alta do Hospital de Abrantes, onde estava internado desde 29 de Julho, na sexta-feira, informou o comandante dos Voluntários de Constância, Adelino Gomes. Luís Estrela sofreu queimaduras na face e no queixo ao ser atingido pelas chamas que surgiram por baixo do carro de bombeiros onde estava integrado. Segundo Adelino Gomes o cadete já compareceu no quartel e não ficou com grandes sequelas do acidente. O comandante acrescentou que “só esteve internado por precaução, uma vez que é muito irrequieto”. Devido à idade do bombeiro, o caso tem originado várias reacções. Mas o comandante da corporação garante que os cadetes (bombeiros com menos de 18 anos) não são usados nas linhas de fogo. “Tenho-me batido para que eles não participem nos incêndios, apesar de terem seguro e estarem registados no Serviço Nacional de Bombeiros”, explica Adelino Gomes. Aquele responsável conta que a viatura onde seguiu o cadete, e que ficou bastante queimada, não se destinava à linha da frente do incêndio. “Era um carro pequeno e que estava a dar apoio na retaguarda, mas acabou por ficar cercado pelo fogo inesperadamente”. Há necessidade de cativar jovens para os bombeirosO coordenador distrital do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, Joaquim Chambel, disse a O MIRANTE que “há instruções para que se evite colocar cadetes nas guarnições dos carros de combate” às chamas. Mas ressalva que nem sempre é possível controlar estas situações. Joaquim Chambel lembra os tempos em que também foi cadete e confessa que ficava “danado” se algum bombeiro de 30 anos se fardasse primeiro quando era preciso responder a uma ocorrência. Acrescenta que esperava sempre uma oportunidade para ir para os “teatros de operações”. Luís Estrela, o jovem cadete de Constância, foi no último carro a sair do quartel, quando já não estavam no local elementos de comando. “É difícil controlar as guarnições dos carros que saem no fim”, argumenta Joaquim Chambel, acrescentando que o regulamento dos Bombeiros não impede a utilização de cadetes. Mas para evitar problemas, como este, normalmente eles “fazem reabastecimentos”, em autotanques que ficam longe do fogo. Para o coordenador são estes jovens que garantem a continuidade das corporações de bombeiros. “Se não deixarmos entrar os jovens antes dos 18 anos é grave, porque eles arranjam outra ocupação qualquer e já não estão disponíveis para os bombeiros”, sublinha. “Como precisamos de bombeiros corremos o risco de eles entrarem para os carros e acontecerem casos como este”. No mesmo incêndio, que deflagrou às 11h10 do dia 29 de Julho, ficaram feridos outros dois elementos, na casa dos 30 anos, da corporação de Constância, e um dos Bombeiros de Abrantes. O fogo, que ameaçou povoações, foi dado como extinto às 14h15, tendo ardido 200 hectares de mato.
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