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O afilhado bósnio

O afilhado bósnio

Presidente da câmara de Constância é um padrinho dedicado

Em Outubro, quando fizer cinco anos, Adam Mevys vai receber em sua casa, na Bósnia, uma prenda do padrinho português. O presidente da câmara de Constância, António Mendes, nunca se esquece do afilhado que ganhou quando visitou os militares portugueses em serviço na Bósnia.

Edição de 11.08.2004 | Sociedade
Algum vestuário e sapatos, porque é o que mais precisa, são os presentes que o presidente da Câmara de Constância costuma mandar ao seu afilhado Adam Mevys, uma criança bósnia que apadrinhou em Outubro de 2000, quando visitou os militares de Santa Margarida em serviço naquele país.António Mendes não fazia ideia do que o esperava à sua chegada a Visoko, quartel general das forças militares portugueses e gregas. Mas o tenente coronel Serronha já tinha tudo preparado. “Foi uma enorme surpresa”, confessa o autarca.Adam Mevys fazia na altura um ano e, segundo a tradição muçulmana, deveria ser baptizado no dia do seu primeiro aniversário. Aproveitando a ida de António Mendes a Visoko, o tenente coronel Serronha falou com a mãe de Adam, que trabalhava na cozinha do aquartelamento português e, juntos, decidiram convidar António Mendes para padrinho da criança.“Foi uma cerimónia simples e bonita”, bem à medida do autarca de Constância, que não gosta de grandes aparatos. Manda a tradição que os pais da criança cortem um bocado de cabelo do padrinho, que é guardado religiosamente. Mas como António Mendes usa sempre o cabelo muito curto, a tradição foi “um bocadinho” alterada.Assim, foi o autarca que cortou alguns caracóis do seu afilhado, que foram guardados dentro de uma caixa. Após a cerimónia religiosa, fez-se uma festa simples. Um almoço de bacalhau regado com vinho português que juntou a família de Adam Mevys, e dois batalhões de militares portugueses, o de Santa Margarida e um outro que estava instalado nas imediações. No final, houve ainda direito ao bolo que simbolizava o baptismo e simultaneamente o primeiro aniversário do petiz.António Mendes nunca esqueceu os seus deveres de padrinho e manteve contacto com a família de Adam. Sempre que foi à cidade bósnia visitou o afilhado e frequentou diversas vezes a sua casa. “São extremamente simpáticos”, refere o autarca, referindo-se à mãe de Adam, cozinheira, e ao pai funcionário municipal, arrumador no cinema local.Enquanto os militares de Santa Margarida estiveram instalados em Visoko enviava, por eles, “umas prenditas”que sabia que fazerem a diferença. Algumas roupas e também sapatos, ténis, principalmente pela altura do Natal.Coisas básicas que, para a criança bósnia, representavam algo que dificilmente poderia ter num país em guerra onde a febre ocidental do consumo ainda não chegou.Quando o batalhão português foi transferido para outra região, a quase 200 quilómetros de Visoko, António Mendes deixou de visitar a família de Adam. Mas continua a enviar-lhe religiosamente presentes no Natal. Pelo correio segue também um postal de felicitações a cada aniversário. Porque as tradições que devem ser mantidas e as responsabilidades cumpridas. O autarca escreve sempre em português e recebe de volta cartas também escritas na língua de Camões. É por isso que acredita que a família do seu afilhado continua a socorrer-se dos tradutores locais que prestavam serviço no aquartelamento português.Em Outubro próximo Adam Mevys completa cinco anos. E sabe que irá receber mais umas prendas do seu padrinho português. António Mendes gostaria que o afilhado, um dia mais tarde, o venha visitar a Constância.Margarida Cabeleira
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