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Telefones mudos e linhas trocadas

Telefones mudos e linhas trocadas

Habitantes dos concelhos de Tomar e Torres Novas penalizados por derrube de poste

Telefones mudos, linhas trocadas, incómodos e prejuízos. Há 15 dias que os habitantes de algumas aldeias dos concelhos de Tomar e Torres Novas têm a vida dificultada pelo facto de um camião ter cortado o cabo telefónico no viaduto sobre a Linha do Norte, na Lamarosa. A Portugal Telecom (PT) diz que até final da semana a situação está resolvida.

Edição de 11.08.2004 | Sociedade
Há 15 dias que os moradores das aldeias que fazem fronteira entre os concelhos de Tomar e Torres Novas têm tido problemas com os telefones. Ou simplesmente ficam mudos ou as ligações vão parar onde não querem. Tudo porque a carga de um camião derrubou um poste no viaduto sobre a linha férrea do Norte, em Lamarosa. O “trim-trim” sistemático do telefone não deixava dormir Mário Pereira. Na segunda-feira, 2 de Agosto, o revisor da CP residente em Delongo (Tomar) tinha feito o turno da noite e precisava de dormir mas o telefone não lhe dava descanso.Ainda por cima nenhuma das chamadas era para ele. “Queriam saber a que horas partia o autocarro da excursão, se ainda havia lugares disponíveis e coisas do género”, referiu ao nosso jornal Mário Pereira. A verdade é que as linhas estavam trocadas e quem ligava pensava estar a falar para a Junta de Freguesia de Paialvo (Tomar). Cansado e aborrecido, o morador de Delongo acabou por telefonar à Portugal Telecom (PT) e reclamar da situação.Os incómodos sucederam-se ao longo de 15 dias. E a aldeia de Delongo foi a mais penalizada. No posto de combustível da localidade muitos clientes ficaram a dever porque o multibanco esteve uma semana sem funcionar. E no café ao lado, ninguém pôde registar o totoloto durante uma semana. Fernando Faria, proprietário do café “A Nossa Casa”, afirmou a O MIRANTE que alguém terá de se responsabilizar pelo prejuízo que teve.O empresário refere que semanalmente costuma fazer registos na ordem dos 3500 euros e mais avultados em semanas de jackpot, como era o caso. Desesperado deu conhecimento do sucedido aos serviços de registos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, esperançado que ela pudesse fazer alguma pressão sobre a PT.Com ou sem pressão, a verdade é que a reparação da sua linha telefónica só foi feita no Domingo, quase oito dias depois do acidente. “Considero que tenho direito a ser ressarcido do prejuízo, afinal a linha telefónica é um bem público pelo qual eu pago”, refere.Outros moradores também foram prejudicados, uma vez que têm por hábito ir ali pagar diversos serviços por multibanco, como a electricidade, a água ou o telefone.Quinze dias após a queda do poste, ainda há havia habitantes com o telefone mudo. E a deixar de ganhar dinheiro, como António Samouco. Residente nas Fontaínhas dedica-se à limpeza de fossas domésticas e os clientes só o podem contactar através do telefone fixo.Contactado pelo nosso jornal, o gabinete de comunicação da Portugal Telecom confirmou a situação, referindo no entanto que todas as comunicações na região devem estar operacionais até ao final desta semana.Relativamente aos prejuízos causados, a PT remete para a empresa proprietária do camião a responsabilidade de eventuais ressarcimentos. “A PT foi também vítima da situação”, justifica Eugénia Dias.Incêndios e chuva causam cortesUma semana após a vaga de incêndios que assolou o país no final de Julho e início deste mês a Portugal Telecom faz contas ao prejuízo. Só no distrito de Santarém a operadora de telecomunicações foi obrigada a substituir 17 quilómetros de cabos na zona de Torres Novas.Os clientes também estão a ser afectados. Contabilizados até 3 de Agosto estavam 700 pessoas sem telefone ou com o aparelho avariado, todas elas também na região de Torres Novas, onde no dia 25 de Julho deflagrou um dos maiores incêndios da região.De acordo com o gabinete de comunicação da operadora, 50 por cento dos casos estão entretanto resolvidos e há a perspectiva de tudo estar operacional no final desta semana. Se a chuva deixar, uma vez que, segundo Eugénia Dias, o trabalho no terreno tem sido dificultado pelas chuvadas dos últimos dias.
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