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Um português em Pequim

Cândido Azevedo, de Almeirim, ensina português a estudantes universitários chineses
Edição de 11.08.2004 | Sociedade
Nos registos da embaixada é o 19º português a residir em Pequim, China. No universo de 18 milhões de habitantes da cidade, o número de cidadãos que falam a língua de Camões não são muito mais que as duas dezenas. Cândido Azevedo, de Almeirim, está há um ano na urbe que tem mais gente que Portugal inteiro. Não sabe falar chinês, mas já conseguiu pôr muitos chineses a falar português. Cândido Azevedo, que tem uma experiência no Oriente de 16 anos, é coordenador dos cursos de língua portuguesa nas universidades chinesas. Esteve em Macau quando o território estava sob administração portuguesa. Saiu em 2001 já com os chineses a gerirem aquela terra. Foi para Almeirim, terra que escolheu para viver depois de 1974, candidatando-se a presidente da câmara pelo PSD, mas apenas conseguiu um lugar de vereador. Poucos meses depois de iniciar funções recebe um telefonema. Elementos do governo chinês estavam na auto-estrada Lisboa/Porto e queriam encontrar-se com o professor de Educação Física. Cândido Azevedo recebeu-os em casa, aceitando a proposta de voltar ao Oriente para assumir a coordenação do Instituto Politécnico de Macau. Hoje sabe que foi a melhor decisão. Do seu apartamento em Pequim consegue ver grande parte da cidade. O olhar espraia-se pelo passado e pelas perspectivas de um futuro que quer continuar naquela parte do mundo. Apesar de nem sempre ser possível criticar, dizer mal do governo, como em Portugal.Mas há outras liberdades. A de ir nadar à piscina do prédio onde mora, de receber massagens no mesmo local. De ter tempo livre suficiente para se dedicar à paixão da investigação e da escrita. Foi preciso regressar àquela zona para acabar de escrever o livro iniciado em 1982. “Portas do Cerco” revela o que os jornalistas portugueses relataram sobre o que se passava no interior da China desde a invasão do país pelo Japão em 1894 e até 1945. Passou tardes e noites em bibliotecas a ler jornais da época. O livro já esgotou na China e está prevista uma edição para Portugal, cuja receita da venda da obra vai reverter para o Centro de Recuperação Infantil de Almeirim (CRIAL). “Portas do Cerco” foi traduzido em chinês e conta muitas histórias que os chineses desconheciam.

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