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"Perdeu" a esposa em Marrocos e ia sendo preso em Inglaterra

Edição de 17.08.2004 | Aquelas férias...
Hoje em dia o repórter da Rádio Pernes, Germano Pacheco, não tem muito tempo e saúde para fazer grandes férias, mas os seus 66 anos já lhe permitiram conhecer um bom número de países e passar por situações bem caricatas, umas mais divertidas, outras nem tanto, pelo menos na altura.Como daquela vez, há uns bons 25 anos, quando acompanhado pela mulher, a filha e um sobrinho decidiu ir passar uns dias a Marrocos. Pegou no seu Alfa Romeu, partiu pelo sul de Espanha, passou pelas grutas de Altamira, Jerez de La Frontera, Cadiz e Algeciras, onde apanhou o barco para Ceuta, território sob administração espanhola situado no norte de África.A primeira experiência que ainda se recorda começou logo na travessia. O ferry-boat em que seguia foi “escoltado” por dezenas de golfinhos que nadavam quase de nariz colado ao navio para grande alegria da pequenada e não só.Já do outro lado, a mulher perguntou-lhe qual a diferença horária entre Ceuta e Portugal. Ele respondeu-lhe que era uma hora mas que não valia a pena mudar o relógio. Só que a esposa percebeu que eram duas horas de diferença, um pequeno pormenor que os fez perder várias refeições. É que quando chegavam aos restaurantes já os empregados estavam a lavar a louça e só a muito custo conseguiam negociar uma refeição.Mas o pior estava ainda para vir. No meio de uma visita guiada à cidade, a mulher de Germano Pacheco desapareceu. A família juntou-se durante mais de uma hora à sua procura até que finalmente a viram sair de uma mesquita. Mas o alívio do reencontro foi curto porque atrás da esposa vinha uma mão cheia de árabes com cara de poucos amigos.“A minha mulher é loura e tem a pele muito branca, bem diferente das mulheres árabes, que ainda por cima andam de véu. Os árabes estavam a fazer uma espécie de cordão à volta dela para a tirarem da mesquita e felizmente estávamos numa parte de África já europeizada, senão não sei como seria”, descreve.Passado o susto, continuaram a visita pelo mercado e a esposa quis comprar um tamborete em pele. Germano disse-lhe para regatear o preço, uma tradição árabe, e ela seguiu o conselho. Numa peça que valeria umas boas 200 pesetas, ela ofereceu 20 o que desconcertou o vendedor, que se fartou de gesticular por pensar que estavam a gozar com ele. No entanto acabou por trazer a peça por metade do valor, perto de cem pesetas, pouco mais de cinco euros em moeda actual, o que há 25 anos era muito dinheiro.Além desta atribulada viagem a Marrocos, Germano Pacheco recorda-se ainda da primeira de várias viagens que fez a Londres, a cidade onde diz que gostava de viver.Mas o gosto que hoje tem pela capital inglesa não foi amor à primeira vista. Ainda era solteiro e foi de carro até França, apanhando depois o ferry-boat para a outra margem do Canal da Mancha. Só que a condução em Inglaterra faz-se pela esquerda, com volante à direita, o que complicou as contas ao jovem Germano.Depois de muitas apitadelas decidiu parar numa rotunda (em Portugal ainda eram raras) onde estava um polícia. No seu inglês escolar cumprimentou-o, disse-lhe que era português e queria ir para o centro de Londres, mas em fez de uma explicação recebeu uma ameaça: “Saia já daqui antes que eu o mande prender”, disse o polícia. Seguiu o concelho e foi comprar um mapa, utensílio sempre útil em tempo de férias.

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