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Prevenido Serafim das Neves

Prevenido Serafim das Neves

Edição de 17.08.2004 | E-mails do outro mundo
A tua estratégia para viveres até aos cento e muitos é fantástica. Não vou seguir à risca o teu método porque sou um animal de hábitos e ampla preguiça, mas há algumas indicações que fazem parte do meu guia para uma vida saudável há muito tempo. Como aquela de evitar balcões dos CTT, repartições de finanças, conservatórias, tribunais e canis municipais. Infelizmente não posso beber cerveja moderadamente porque quando bebo uma nunca mais paro e também não posso deixar de fumar. Isso então é completamente impossível. Fumo nos cafés, nos restaurantes, nos supermercados. Até nas casas de banho sou obrigado a fumar. Nunca comprei um maço de tabaco nem nunca cravei um cigarrito, mas a solidariedade dos fumadores é tanta que até me intoxica. Eles não me deixam respirar com tanta gentileza. Enfiam-me todo o fumo que podem pela boca, pelas narinas, por todos os poros do meu corpo. Se em vez de nicotina me enchessem de notas de cinco euros o Bill Gates era um pobretanas ao pé de mim. Pobretes mas alegretes, como dira a minha avó, são os autarcas da região. Não têm dinheiro para mandar cantar um cego, mas quando chega a altura de arranjar instalações para o governo ou terrenos para investidores vão a correr gastar o que não têm. São masoquistas empedernidos. O governo não lhes dá dinheiro nem os deixa ir aos bancos pedir empréstimos, mas quando quer instalações para secretarias de Estado basta-lhe abrir a boca e é ver os presidentes de câmara, como baratas tontas, à procura de um palacete, de um palheiro, de um armazém desactivado ou de um simples apartamento num bairro social.Um empresário quer um terreno para uma fábrica e os presidentes de câmara esgadanham-se todos. Guerreiam uns com os outros para ver quem oferece primeiro e em melhores condições. Lembras-te da guerra entre Torres Novas e Santarém por causa de uma unidade de embalagem de carnes inglesa? O autarca do Almonda ganhou a corrida. Acho que até se escreveu um livro sobre o assunto (Ih!Ih!Ih!). Se estivéssemos na América fazia-se um filme. Tónho Rodrigues a voar para Londres para reuniões secretas com os investidores enquanto o presidente de Santarém arrancava as barbas desesperado. Grande guião. Agora que a fábrica despediu o pessoal quase todo, o vencedor da corrida às carnes nem abre o bico. Eu agora quero é ir de férias. Livrar-me destas melgas por algum tempo. Fugir de Portugal por 15 dias. Não tenho dinheiro mas não é isso que me detém. Vou pedir um empréstimo. Vou aproveitar os descontos. Os pacotes turísticos baratuchos. Se ficar endividado até aos cabelos não me chateio nada. Vou pedir à Deco que me ensine a renegociar a dívida. Vou pedir à Segurança Social o Rendimento Mínimo ou coisa que o valha. Vou à Cáritas, à Junta de Freguesia. À TVI. Os portugueses gostam de dar aos pobrezinhos mesmo quando os pobrezinhos têm mais que os outros. Vai ver que me vou safar à grande.E tu vê lá se te habituas à ideia de voltar ao trabalho agora que já sabes que não te saiu nada no totoloto, nem no jackpot. Mas volta com moderação. Não entres à bruta que dás cabo de ti. Quem te avisa teu amigo é.Um abraço sem stress doManuel Serra d’Aire
Prevenido Serafim das Neves

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