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Morte no... Alviela

Edição de 18.08.2004 | Opinião
Acesa está a polémica entre os autarcas de Santarém e a técnica de ambiente da CCDR de Lisboa, responsável pelas análises à água do Alviela, onde recentemente se deu mais uma das habituais mortandades de peixes. Análises essas que concluem, contudo, que os valores encontrados são perfeitamente naturais “para esta altura do ano” e que não se vislumbra, aí, “nada de anormal”.Polémica descabida, portanto!De facto, se ciência diz que a m.... (perdão), a porcaria, é idêntica ao ano passado, é porque é! Se diz que não existe aí nada de anormal, é porque não existe!Aliás, temos que reconhecer que é perfeitamente normal o rio estar assim! Se estivesse limpo é que não era nada normal!De onde virá então a ideia peregrina do Vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Santarém e do Presidente da Junta de Freguesia de Vaqueiros, suspeitarem de “manipulação” das análises! Manipulação?! Tenham paciência!! Se pararem um bocadinho para pensar facilmente chegarão à conclusão que tal desconfiança apenas pode resultar de manifesta má vontade!Ora vamos lá ver: segundo os dados agora revelados a quantidade de porcaria (mais tonelada, menos tonelada, é claro) é sensivelmente a mesma do ano passado. A água é que é menos! Percebem?!! Isto para já não falar do calor, claro!!É assim perfeitamente natural que a causa da morte dos peixes não se deva, de facto, a uma qualquer intoxicação ou envenenamento por um qualquer produto químico. Provavelmente morreram afogados! Afogados em... dejectos,.. chamemos-lhes assim! Ou então morreram de insolação!O que nos leva à conclusão seguinte: o problema do Alviela, ao contrário do que se diz, não é, definitivamente, a contaminação da água!Dito de outra maneira: não é a água que tem muita porcaria! É a porcaria que tem pouca água! Estão a ver a diferença?!!Mas o problema mais grave é mesmo a existência de peixes!Coitados,.. são muitos delicados, e sensíveis ao calor e aos cheiros. Alguns, consta até que sofrem de problemas respiratórios hereditários*. Começam portanto a ficar com afrontamentos, com afrontamentos,... e, pronto... dá o resultado que se sabe.Agora, o que não deixa de ser verdade (mesmo que custe a alguns) é que estas mortandades só existem porque os ditos teimam em viver ali! Essa é que é essa!Pensando bem,... porque é que as carpas, os barbos e as enguias não hão-de fazer como o “cherne”?! Se não estão bem, mudem-se! Ora essa!!Sinceramente, o que eu acho que se devia fazer era, pura e simplesmente, tapar o rio! Nem mais! Para grandes males, grandes remédios!Resolvia-se de uma penada o problema dos peixes e o dos cheiros!É, aliás, uma questão de opção estratégica! No fundo o que é que preferimos: um rio degradado, abjecto, de má qualidade e que nos envergonha, ou uma cloaca moderna e eficaz, de que todos nos orgulhemos?É sobre isto que devemos reflectir! É a eterna questão da natureza das coisas!Seja como for, deve haver a coragem (e a frontalidade, já agora) de afirmar alto e bom som que, só desta forma, o problema ficaria definitiva e completamente resolvido!Já ouviram falar, porventura, de algum esgoto poluído?Pois é.....* Na verdade, também não podemos pôr totalmente de parte a, assim denominada, hipótese psicótica, que apesar de minoritária parece recolher cada vez mais adeptos. À semelhança das baleias e dos golfinhos, quem sabe se não existirão aqui, igualmente, tendências suicidas?

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