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A história negra da Nacional 3

A história negra da Nacional 3

Em Vila Nova da Rainha registam-se acidentes quase todos os dias

O troço da Estrada Nacional 3 que liga Azambuja a Vila Nova da Rainha já foi considerado um dos 20 mais perigosos a nível nacional. A intensidade do tráfego de pesados e a negligência dos condutores fazem da zona um ponto negro da região.

Edição de 18.08.2004 | Sociedade
Eram sete da manhã de uma madrugada de Maio quando um jovem de 28 anos perdeu a vida em Vila Nova da Rainha, concelho de Azambuja. O condutor, que regressava a Lisboa depois de uma tertúlia na Feira de Azambuja, perdeu o controlo do carro, embateu num muro e foi depois atingir um poste de electricidade. Foi o segundo acidente mortal no espaço de um mês. Dias antes já um outro homem tinha perdido a vida, depois de tentar a ultrapassagem a um veículo pesado. As duas mortes ajudam a engrossar a lista de acidentes fatais que já atiraram o troço da Estrada Nacional 3, entre Azambuja e Vila Nova da Rainha, para a lista dos 20 pontos mais perigosos a nível nacional no que diz respeito à sinistralidade rodoviária. Nos últimos 25 anos morreram mais de 14 pessoas no local, algumas delas vítimas de atropelamento. No primeiro semestre deste ano a protecção civil do concelho registou 14 acidentes, mas o presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova da Rainha, Joaquim Borda D’Água, garante que quase todos os dias os acidentes se repetem naquela zona.Diariamente passam na estrada, uma das principais ligações da região à capital, cerca de 30 mil veículos. Grande parte são pesados que fazem os transportes para os vários armazéns logísticos da Zona Industrial da Rainha que abastecem a região de Lisboa.“A estrada foi recuperada há quatro ou cinco anos, mas o rasto dos camiões já se nota no pavimento e é motivo de despistes constantes”, denuncia o autarca.A zona onde ocorre a maior parte dos acidentes é a recta onde ficam situados os armazéns logísticos. Os veículos pesados com vários metros de comprimento que se atravessam na via e a velocidade dos condutores, fazem do local um dos pontos negros da região. Face ao elevado índice de sinistralidade, o transporte de matérias perigosas pela vila é outra das preocupações do autarca. “Por vezes há muitos contentores que contêm matérias que os próprios motoristas desconhecem”, alerta.À passagem pela localidade de Vila Nova da Rainha, ligeiros e pesados raramente cumprem a velocidade permitida. Os semáforos instalados frente à estrada que liga ao apeadeiro do caminho-de-ferro ajudaram a reduzir a sinistralidade e o número de atropelamentos mortais, mas revelaram-se insuficientes.“Há uma grande falta de respeito por parte dos condutores. Quando cai o sinal há quem não pare e acelere pelo interior da freguesia para ultrapassar os veículos que aguardam a abertura do semáforo”, descreve Joaquim Borda d’Água. Em Outubro do ano passado, uma manobra semelhante custou a vida a uma jovem de 19 anos, colhida mortalmente à porta da casa da avó.Para Joaquim da Fonseca, 73 anos, antigo pintor de automóveis que durante anos trabalhou frente à Nacional 3, mais perigoso do que a própria estrada são os condutores.“Um rapaz da terra, que já ia com quatro acidentes, nunca espreitava antes de entrar na Nacional 3. Um dia chocou contra um camião e partiu um poste de electricidade”, conta Joaquim da Fonseca. “Há carros que fazem a rotunda e entram na estrada com duas rodas”, ironiza.Para o presidente da junta de freguesia, a alternativa que a Câmara Municipal de Azambuja está a concretizar com o apoio dos empresários (ver caixa) irá libertar o troço do tráfego mais pesado, mas não resolverá totalmente o problema já que os veículos continuarão a desembocar em Vila Nova da Rainha. Joaquim Borda D’Água defende que a solução definitiva passaria pela construção de uma variante, do outro lado do caminho de ferro, que ligasse a freguesia a Vila Franca. Para isso seria necessário ultrapassar as condicionantes dos terrenos de aluvião que se estendem ao longo da lezíria.O nosso jornal contactou o Instituto de Estradas de Portugal para saber que alternativas estão a ser estudadas, mas até ao fecho da edição não foi possível obter qualquer resposta.Ana Santiago
A história negra da Nacional 3

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