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Big Brother na floresta

Câmaras de filmar vigiam matas de Chamusca, Almeirim e Alpiarça

Foi montado em Julho e é um sistema inovador. Três câmaras de vídeo estão a vigiar as florestas de Chamusca, Almeirim e Alpiarça para prevenir e detectar mais rapidamente os incêndios.

Edição de 18.08.2004 | Sociedade
No alto do monte das Figueiras, na Chamusca, uma pequena câmara rivaliza com o olhar atento do vigia que está na torre, olhando a paisagem pelos binóculos. O aparelho roda de um lado para o outro comandado pelos operadores do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) em Tomar. Nos ecrãs desfilam imagens de vários quilómetros de espaço florestal. É a vigilância das florestas à distância. Um “Big Brother” das matas. O sistema de vigilância através de câmara de vídeo está instalado a 15 metros da torre de vigia da Direcção Geral dos Recursos Florestais. Para lá chegar é preciso percorrer uma estrada de terra esburacada. O jipe vai saltitando durante os mais de cinco quilómetros de caminho desde o centro da vila. Por aquelas bandas só andam as carrinhas de prevenção de fogos da ACHAR (Associação de Agricultores da Charneca), beneficiária do projecto de vídeo-vigilância que desde Julho abrange as propriedades dos seus 130 associados. A escolha da zona da Chamusca para a instalação do sistema, a funcionar em regime experimental, deveu-se ao facto de no ano passado ter sido um dos concelhos mais fustigados pelos incêndios. Mas foram também instaladas câmaras de vídeo em Almeirim, na serra de Fazendas de Almeirim e em Alpiarça, na zona de Vale da Lama das Rosas. Cinco painéis solares colocados ao longo da torre branca de ferro alimentam de energia o sistema que permite rodar a câmara, fazer zoom. Em redor, uma vedação em rede verde impede a aproximação das pessoas. No alto da torre antenas emitem e recebem sinais codificados que são traduzidos em ordens, em imagens…As três câmaras, do tamanho de uma garrafa de água de litro e meio, fazem a cobertura de 70 por cento da área florestal dos três concelhos. E observam a maior parte dos 80 mil hectares de terreno dos associados da ACHAR. Alguns devastados pelas chamas no ano passado. No monte das figueiras observa-se uma vasta área desnudada de eucaliptos pinheiros e sobreiros. O engenheiro Rui Igrejas, responsável da ACHAR pelo projecto, esclarece que a prioridade da vídeo-vigilância foi para as áreas não ardidas, embora seja também necessário proteger as zonas atingidas pelo fogo. Até para proteger a regeneração das árvores. Das três câmaras, uma está equipada com sistema de visão de infra-vermelhos, o que permite captar imagens nocturnas. Está no sítio de Cruzetinhos, Vale da Lama da Rosa, por ser uma zona que ainda não foi afectada pelos fogos. No caso do equipamento da Chamusca, o facto de estar perto de uma torre de vigilância humana vai permitir fazer comparações e corrigir procedimentos. A vídeo-vigilância das florestas está em fase de testes durante este Verão. Em Setembro, diz Rui Igrejas, as câmaras devem ser desmontadas para evitar actos de vandalismo. O sistema foi desenvolvido pela Cotec – Associação Empresarial para a Inovação. Uma estrutura que reúne grandes grupos económicos de várias áreas, desde as telecomunicações à informática, e cujo presidente da assembleia-geral é o Presidente da República, Jorge Sampaio. Rui Igrejas esclarece também que este é um sistema “inteligente”, uma vez que não precisa da intervenção humana permanente. Quando uma câmara detecta alterações na paisagem, um programa informático analisa a imagem e emite um alarme. Nessa altura o operador confirma e avalia o alarme e dá o alerta se se confirmar a existência de fogo. Para além da prevenção e detecção de incêndios, este equipamento está também a revelar-se muito útil no combate aos sinistros. Através dos ecrãs instalados no CDOS pode-se acompanhar em tempo real a progressão das chamas e mobilizar os meios para onde são necessários. Nos recentes incêndios de Torres Novas o método já foi utilizado.

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