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Família vive da caridade alheia

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Situação de miséria em Foros de Salvaterra

Uma família de sete pessoas dos Foros de Salvaterra queixa-se que está sem parte do rendimento social de inserção há quase um ano. Além disso, continua a chover na casa que foi reparada com a ajuda da Segurança Social há um ano.

Edição de 18.08.2004 | Sociedade
Uma família de sete pessoas dos Foros de Salvaterra queixa-se que deixou de receber parte do rendimento social de inserção há quase um ano. Neste momento, vivem com 441 euros por mês. Segundo Ana Maria Rainho, a justificação apontada pela Segurança Social de Santarém é que o seu marido, Danny Wils, consta ainda no sistema informático como se estivesse a trabalhar. Na verdade, segundo a queixosa, o que aconteceu foi que surgiu a oportunidade do seu marido ir trabalhar para a jardinagem por conta da Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos. Como não pode estar muito tempo em pé devido a um acidente, o médico aconselhou-o a deixar esse tipo de trabalho, onde esteve apenas 15 dias. Recorde-se que Danny, um belga de 36 anos de idade, é reformado por invalidez por ter caído de um quinto andar. Tem platina e parafusos em várias partes do corpo. Até na vista tem uma pequena chapa metálica. Além disso, é epiléptico. Já tentou várias vezes trabalhar na construção civil e até nos jardins. Mas, ao fazer esforços, a sua perna esquerda começa logo a inchar e tem de deixar de trabalhar. Da Bélgica, local onde teve o acidente, recebe uma pensão de 109 euros por mês. Em Portugal, recebia de rendimento mínimo cerca de 150 euros mensais. “Não era muito, mas para uma família pobre é bastante”, defende Ana Maria Rainho. O casal tem cinco filhos: a Lurdes Cátia com três anos, o Marco Tomás com quatro, a Anouck com cinco, a Wendy com oito e o Timmy com 11 anos.Para que não se pense que não há vontade de trabalhar, Ana Rainho assegura que o seu marido não se importa de trabalhar desde que “os esforços não lhe provoquem ainda mais problemas de saúde”.O estado de miséria da família é de tal ordem que a queixosa vive muitas vezes de algumas ajudas de pessoas que conhecem a sua situação. Já lhe cortaram a electricidade durante 15 dias por falta de pagamento, a padeira já não lhe fia o pão, tem a creche em atraso e não pode encomendar os livros para os seus dois filhos que já estão na escola porque ainda tem uma dívida na papelaria.Mas os problemas desta família não se ficam por aqui. Apesar de no ano passado a casa onde vivem ter sido reparada com a ajuda da segurança social, porque chovia por tudo quanto era sítio - o que chegou a obrigar a família a colocar um chapéu-de-sol sobre uma das camas - a situação continua na mesma. Tudo porque o telhado terá sido alegadamente mal reparado. Segundo Ana Rainho, continua a chover nos quartos onde dormem. Conta que já falou com o empreiteiro, mas a justificação alegadamente dada pelo próprio foi que “não poderia ir de Inverno em cima do telhado porque as telhas partiam-se”. Agora, no Verão, argumenta que “não vale a pena lá ir porque não consegue saber onde chove”, referiu a queixosa ao nosso jornal. Processo reavaliado em SetembroPara o director da Segurança Social de Santarém, a justificação para o facto da situação estar pendente prende-se com o facto de Danny Wils “não apresentar a alteração do rendimento da sua pensão da Bélgica desde o ano 2000”. Além disso, refere o director distrital da Segurança Social, António Campos, a passagem do rendimento mínimo garantido para o rendimento social de inserção leva forçosamente a “uma reavaliação do processo dessa família que será feita já no próximo mês de Setembro”. Quanto ao facto de continuar a chover na casa onde habitam, António Campos diz que esse é um assunto que a família deve tratar junto do empreiteiro a quem foi adjudicada a obra. “Houve um caderno de encargos que tem de ser cumprido”, referiu.Mário Gonçalves
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