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Prevenção combate calor

Prevenção combate calor

Ribatejo sem registo de mortes relacionadas com temperaturas mais elevadas

Está-se a meio do Verão e até à data não foi ainda contabilizada na região qualquer morte directa ou indirectamente ligada ao calor. Temperaturas mais amenas e muita informação criaram um ambiente favorável à não propagação de óbitos nesta altura.

Edição de 18.08.2004 | Sociedade
Carlos da Purificação, “33 anos em cada pé”, sabe bem o que tem a fazer quando o calor aperta. “Beber muitos líquidos e não apanhar sol”, diz quem durante anos trabalhou ao ar livre. O morador de Alverca mostra que está bem informado quanto às consequências das altas temperaturas. “Há muita informação sobre isso”, diz.Informação foi mesmo o que não faltou este Verão, em que a prevenção esteve na ordem do dia. E o exemplo partiu de cima. Logo em Junho, a Direcção Geral da Saúde (DGS) emitiu uma circular informativa destinada a todos os estabelecimentos de saúde onde, em seis folhas, deu conhecimento das medidas de prevenção a tomar e fazia recomendações à população, nomeadamente crianças e idosos, potencialmente a de maior risco.A circular foi divulgada, afixada, distribuída. Poucos serão os centros de saúde na região que não tenham feito uma síntese das recomendações da DGS. Numa ronda efectuada pelos centros de saúde e hospitais do Ribatejo todos foram unânimes em afirmar que a polémica gerada o ano passado sobre a relação entre o aumento da mortalidade e as altas temperaturas serviu de lição.Os próprios médicos estão mais sensibilizados para a questão. E além de alertarem os doentes para os folhetos informativos postos à disposição deram também conselhos adicionais aos utentes considerados de maior risco. Beber muita água, mesmo sem sede, e refugiar-se em casa nas horas de maior calor foram os principais.Carlos da Purificação prefere matar o tempo no Centro Comercial Parque, a ver as montras “e outras coisas”. E a comer gelados. “A água faz melhor, mas não sabe tão bem”. “O pior é uma pessoa ficar parada, tem de se mexer”, sentencia, adiantando que costuma ir ao centro porque a sua casa é muito quente e ali ao menos sempre há o fresquinho do ar condicionado. Ao contrário do ano passado, a informação sobre os efeitos do calor foi este ano sobejamente divulgada, com os responsáveis do sector a servirem-se do melhor meio para atingir toda a população – a comunicação social, particularmente a televisão.A prevenção entrou quase diariamente em casa de milhões de portugueses. No intervalo das telenovelas, em programas de informação específicos, nos telejornais. A consciencialização está feita e, a averiguar pelas informações obtidas pelo nosso jornal junto da população da região, assumida por todos.O facto de até agora não terem existido ocorrências hospitalares relacionadas com o calor é a prova, diz o administrador da Sub-Região de Saúde de Santarém, de que a prevenção foi bem feita. Em declarações a O MIRANTE, Fernando Afoito garantiu não ter havido qualquer aumento de urgências e/ou internamentos relacionados com o calor.Apesar de não ser adepto ferrenho do ar condicionado, o responsável da ARS de Santarém lamenta o facto de boa parte dos serviços de saúde da região ainda não poderem garantir ar condicionado nas suas instalações. “O dinheiro não abunda”, lamentou Fernando Afoito, acrescentado esperar que, no próximo ano, todas as unidades de saúde do distrito tenham uma rede de refrigeração eficaz.É também verdade que, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, este Verão está a registar temperaturas mais amenas que em igual período do ano passado, em que se verificaram vários dias consecutivos de calor intenso e baixa humidade, muito também devido à vaga de incêndios que assolou a região.Este ano, a excepção foi a última quinzena de Julho, altura em que os termómetros chegaram a ultrapassar os 40 graus, integrando a região no chamado alerta laranja. Apesar disso, a Direcção Geral de Saúde e o Instituto Ricardo Jorge consideraram que o índice de Ícaro – conjunto de indicadores como a temperatura, grau de humidade e o período de tempo em que ocorre – não foi suficientemente alto para accionar mecanismos de intervenção mais específicos.Ao contrário, houve até unidades hospitalares onde a vaga de calor passou ao lado. Como o Hospital Reynaldo dos Santos, de Vila Franca de Xira, onde o serviço de urgência registou uma diminuição na afluência de doentes em Julho.Margarida Cabeleira
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