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Passar o dia entre as flores

Maria de Lourdes Heitor é florista há 16 anos em Azambuja

É entre as camélias, coroas imperiais e jarros que Maria de Lourdes Heitor passa os dias. A florista de Azambuja compara a moda das flores à roupa que todos os anos apresenta novas tendências.

Edição de 24.08.2004 | Identidade Profissional
Um cliente entra na loja e pede dois ramos de rosas vermelhas. Em poucos minutos Maria de Lourdes Heitor, 56 anos, escolhe os botões mais frescos, desbasta artisticamente algumas verduras e cria um sumptuoso bouquet que vai entregar ao domicílio.É assim o dia a dia da florista “Orquídea”, em Azambuja. Os gostos dos clientes são tão díspares como as inúmeras variedades de flores e verduras que se espalham pelo estabelecimento. Mas há quase sempre o produto clássico a que os homens não resistem. “Só compram rosas vermelhas”, garante. Só um ou outro tem os gostos mais requintados e pede um arranjo mais sofisticado. Quase todos deixam a escolha ao critério da florista.A florista já chegou a arranjar um ramo de 100 rosas para um marido oferecer à esposa. “Ficou radiante e o ramo nem lhe cabia nas mãos. Teve que ser com ajuda”, recorda.Muitas mulheres chegam também à loja sem saber o que pedir. As margaridas, coroas imperiais e gereberas acabam por sair em maior volume por serem das mais duradouras.A variedade de flores torna a escolha difícil para qualquer cliente. Vivaz, eucalipto, margaridas, coroas imperiais, bambus, antúrios e estrelícias espalham-se em jarras pelo estabelecimento à espera de formar ramos. Ao lado soltam-se das prateleiras fitas, tecidos e rafias de todas as texturas.Três vezes por semana a florista abastece-se num dos maiores produtores do país, mas também a uma das firmas do Porto Alto. À quarta-feira uma empresa traz-lhe à porta do estabelecimento tudo o que precisa.Maria de Lourdes garante que a flor é quase como a moda das roupas, que apresentam tendências diferentes todos os anos. “Usa-se mais o ramo misto na época de Verão”, explica. Muitos clientes deixam o produto final ao seu gosto, mas muitas pessoas encomendam especificamente o que querem. A florista faz tudo ao gosto do cliente e apenas se recusa a colocar um laço rosa num ramo de rosas vermelho. “Sou incapaz de fazer isso porque acho que fica muito mal”, desabafa.Os funerais, casamentos e as prendas de aniversário levam muita gente à florista, mas Maria de Lourdes tem muitos clientes fiéis que compram flores simplesmente para enfeitar a casa.O trabalho que envolve alguma criatividade, como o arranjo de cestos, é o que mais agrada a Maria de Lourdes Heitor. Um dos últimos que mais gostou de fazer foi a decoração de uma quinta para um casamento em Samora Correia. Os enfeites para um casamento na ancestral igreja de Vale do Paraíso também lhe deixou saudades.Também nos casamentos a moda está sempre a alterar-se e as noivas já não escolhem o tradicional ramo redondo de rosas. Os arranjos em cascata e espiral com flores mais exóticas começam a ser muito procurados. Nos ramos para enfeitar a casa o bambu também começa a ser utilizado. “Costumo dizer às pessoas que não se esqueçam que o bambu não é para deitar fora. Pode ser posto numa jarra com umas pedrinhas e dura muito”, descreve.A imaginação permite criar arranjos deslumbrantes. Maria de Lourdes só lamenta que nem todos os clientes possam pagar um ramo demasiado composto.A florista trabalha em rede com muitas casas em todo o país, o que permite que os clientes possam encomendar ramos em qualquer ponto de Portugal. Maria de Lourdes Heitor é florista desde 1988, altura em que criou o seu próprio emprego. Depois de trabalhar mais de duas décadas na contabilidade da Sugal, em Azambuja, dedicou-se à área que sempre a apaixonou. O seu sonho era ter ido estudar floricultura para a Holanda, mas acabou por aprender a arte na empresa Carlos Ferreira e Vicente, em Lisboa, e em vários cursos que faz questão de frequentar. O dia de Maria de Lourdes começa às 08h00 e prolonga-se até ao final da tarde. Depois das 19h00 a florista dedica-se à entrega das flores ao domicílio. Há dias de maior fluxo de clientes em que mal tem tempo para almoçar. É incapaz de dizer que não, mesmo ao domingo, quando os clientes vão tocar à campainha de sua casa. O único dia em que não trabalha é a sexta-feira santa. Para ir de férias deixa o estabelecimento entregue às duas funcionárias, que normalmente a ajudam na loja aos fins de semana e em dias festivos. Sempre que se comemora o dia dos namorados, o dia da mãe ou do pai não têm mãos a medir. Mas o negócio já compensou mais. “Hoje em dia há mais vendedoras de flores que floristas”, lamenta.Ana Santiago

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