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Água das fontes não é de fiar

Água das fontes não é de fiar

Maior parte das nascentes da região não são controladas e as que são apresentam água contaminada

Existem mais de 100 fontes no distrito de Santarém, mas só uma ínfima parte é controlada pelas autoridades sanitárias. As análises revelam que os valores de contaminação são preocupantes. Quem bebe água das fontes pode arranjar problemas de saúde.

Edição de 24.08.2004 | Sociedade
Quem bebe água nas fontes da região está a colocar a sua saúde em risco. Das mais de cem nascentes existentes no distrito de Santarém, só onze foram sujeitas a análises no ano passado pela Sub-Região de Saúde de Santarém da Administração Regional de Saúde (ARS). E destas só duas apresentaram valores que davam a água como potável. Mas mesmo assim esta indicação não é cem por cento fiável. Os dados oficiais existentes são de 2003, mas o cenário deve repetir-se este ano. Segundo os elementos fornecidos pelo relatório do Programa de Vigilância Sanitária das Águas da ARS existem fontes que apresentam valores de contaminação por coliformes (bactérias provenientes da infiltrações de matérias orgânicas nas águas subterrâneas) preocupantes. Na zona de Tomar, a fonte de Vale Florido chegou a apresentar mais de 80 células de coliformes totais por mililitro de água, quando o mínimo recomendado é zero. Aliás, o registo dos valores vai só até 80. A partir daí a quantidade de bactérias já não é contabilizada. O que quer dizer que o estado sanitário da água torna-se extremamente perigoso para a saúde. Preocupantes eram também os valores da fonte da Moita (Vila Nova da Barquinha), que para além de apresentar o mesmo valor de coliformes totais e fecais, continha também estreptococos fecais. Outro microorganismo proveniente de matéria orgânica causada por dejectos de animais, humanos ou não. Em situação grave aparece ainda a fonte das Padeiras, em Santarém, com 90 miligramas de nitratos por litro de água, quando o valor admissível não pode ultrapassar a fasquia dos 50.No rol das fontes contaminadas com coliformes aparecem ainda as fontes de Cabeça Gorda (concelho de Santarém), Mãe d’Água na Carregueira (Chamusca), Linhaceira, Grou, Roda Grande e Marmelais (Tomar). Apenas as fontes de Azóia de Baixo (Santarém) e Asseiceira (Tomar) apresentavam água boa para consumo. Mas isso não significa que a água possa ser consumida com toda a confiança. Segundo a técnica engenheira sanitarista da Sub-Região de Saúde de Santarém, Vera Noronha, “mesmo que as análises dêem água própria para consumo isso não é seguro, porque na semana ou no mês seguinte podem aparecer microrganismos”. Para isso basta haver alterações no meio envolvente à fonte, como a adubação de terrenos agrícolas ou a aplicação de pesticidas que se infiltram nas águas subterrâneas. A chuva pode também arrastar matéria orgânica que vai contaminar as fontes. A existência de coliformes fecais na água pode provocar problemas intestinais, que podem ter alguma gravidade em grupos de risco, como crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas. Os nitratos podem causar problemas sérios a bebés, nomeadamente dificuldades respiratórias que nalguns casos degeneram em asfixia. O número de fontes vigiadas em 2003 foi menor que no ano anterior em que foram monitorizadas 17 fontes. Os dados relativos a alguns fontanários causam apreensão, até porque estes são muito usados pelas pessoas. É o caso da fonte da Joaninha, no Vale de Santarém, que apresentava um valor de coliformes superior a 80.A Sub-Região de Saúde de Santarém desconhece o que se passa nas restantes fontes, mas prevê um panorama negro. Vera Noronha esclarece que não existe obrigatoriedade nem necessidade de analisar a água das fontes porque elas não constituem um meio indispensável de abastecimento às populações.“As autarquias a partir do momento que têm abastecimento público ao domicílio deixam de ter responsabilidade nestas fontes. Legalmente não há obrigatoriedade de vigiar estas nascentes”, salientou a técnica, acrescentando que algumas são monitorizadas “a pedido do delegado de saúde da zona, por uma questão de saúde pública, uma vez que temos informações de que as pessoas as continuam a usar”. Em jeito de aviso, a engenheira sanitarista da Sub-Região de Saúde de Santarém diz: “Se zela pela sua saúde não beba água das fontes. É preferível beber água da rede, a saber a cloro, do que beber uma água que não é desinfectada e não sabe a nada”. António Palmeiro
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