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Trânsito caótico em Vila Franca de Xira só poderá ser aliviado através da auto-estrada

Nem em época de férias o trânsito em Vila Franca de Xira deixa de ser problemático. Fazer os 800 metros da rua que atravessa a cidade pode significar um suplício de longos minutos, num constante pára–arranca.

Edição de 25.08.2004 | Sociedade
Atravessar Vila Franca de Xira pode deixar o condutor mais calmo à beira de um ataque de nervos. Apenas duas artérias de sentido único fazem o escoamento do trânsito do centro da cidade numa teia de cruzamentos e ruas onde impera o estacionamento anárquico e passadeiras para peões quase de dez em dez metros.Na sexta-feira às cinco da tarde o trânsito não era muito intenso e mesmo assim levámos quase dez minutos a percorrer a distância de 800 metros entre o quartel de bombeiros e a praça de toiros, em direcção a Lisboa. Duas horas depois a situação era muito pior. E estamos no mês de Agosto quando muita gente está de férias. Imagine-se noutra altura do ano. À nossa frente circula um autocarro do Exército que pára duas vezes no meio da estrada, liga os quatro piscas e aproveita para largar passageiros. O pé está mais vezes no travão que no acelerador. Até porque é preciso travar em quase todos os cruzamentos ou entroncamentos para não bater nos carros que se atravessam à nossa frente. O sítio mais complicado é na zona do centro comercial, onde se regista um intenso tráfego de autocarros. O estacionamento, ou a falta dele, é outro dos factores que contribui para o martírio do trânsito da cidade. A PSP local aponta o mau estacionamento, a paragem em locais proibidos, como um dos cancros que interrompe a normal fluência do tráfego. Em média a polícia levanta por ano 10 mil autos de contra-ordenação, dos quais 80 por cento dizem respeito a estacionamento indevido. No cruzamento junto à câmara municipal a confusão de carros, peões e autocarros que param para largar e recolher passageiros já não espanta Boaventura Martins. Com 82 anos conhece a cidade e os seus problemas como a palma das mãos e é sem hesitações que diz que o trânsito só circula melhor na altura das festas. “Durante as festas do Colete Encarnado, por exemplo, as ruas Alves Redol e Luís de Camões em vez de terem um sentido único em direcção a Lisboa, passam a ter circulação nos dois sentidos. Como há polícias em todos os cruzamentos e como não é permitido o estacionamento na berma o trânsito flui muito melhor”, vaticina.Apesar do movimento intenso de carros servir de distracção a Boaventura Martins e a muitos outros idosos que se concentram naquela zona à espera que o tempo passe, o octogenário gostaria de ver os carros a passar fora da cidade. “Havia menos poluição, menos perigo de sermos atropelados”, remata em jeito de explicação João Manuel Nunes.A presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha (PS), reconhece que “a mobilidade dentro da cidade continua a ser um problema que a crescente circulação automóvel não ajuda a resolver”. Mas a situação podia ser ainda mais aflitiva se o trânsito de pesados não tivesse sido desviado para a Auto-Estrada 1 (Lisboa-Porto) ficando isento do pagamento das portagens. Como a cidade está num colete-de-forças, apertada entre o rio Tejo, a linha do caminho-de-ferro e a auto-estrada do norte, a autarquia está a estudar uma solução idêntica para os veículos ligeiros. A solução ideal passava por isentar os carros de passageiros ao pagamento de portagens entre Vila Franca e Alverca. Mas se tal não for possível a autarquia avança com outra alternativa. A construção de uma entrada no nó 2 da auto-estrada possibilitando o acesso de e para Lisboa, que agora apenas dá acesso a quem vem ou segue para norte. Maria da Luz Rosinha estima que em Setembro estas questões possam ser discutidas com a Brisa, empresa concessionária da auto-estrada. A presidente considera ainda que a existência de parques de estacionamento na periferia pode aliviar a pressão automóvel no centro. Por isso está prevista a abertura de um parque junto ao Ateneu. Maria da Luz Rosinha diz estar empenhada em ordenar o trânsito, até porque, diz, há necessidade de criar mais espaços pedonais para devolver a cidade às pessoas.
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