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Canil a rebentar e dívidas por pagar

Associação Scalabitana de Protecção dos Animais continua a viver em grandes dificuldades

O canil da Associação Scalabitana de Protecção dos Animais está a abarrotar de cães. O excesso de animais trouxe dificuldades financeiras e a organização, além de não ter dinheiro para vacinas e desparasitantes, deve actualmente cerca de dois mil euros.

Edição de 25.08.2004 | Sociedade
Ano e meio depois da construção do novo canil, a Associação Scalabitana de Protecção aos Animais (ASPA) continua a passar por extremas dificuldades. O canil, construído para um máximo de 130 animais, aloja actualmente perto de 180 cães. Um número que só não é maior porque as admissões se limitam a cadelas grávidas ou com crias pequenas.A sobrelotação do canil, instalado paredes meias com o ecocentro de Santarém, perto da zona industrial, levanta uma série de outros problemas, desde o óbvio aumento dos custos com alimentação até questões sanitárias de propagação de doenças. Ainda recentemente morreram vários cachorros devido a um surto de parvovirose, uma doença contagiosa grave mas cuja prevenção é extremamente simples através da vacinação.A ASPA recebe mensalmente um subsídio de 1250 euros da Câmara de Santarém, valor que não é actualizado desde 1998, apesar de um acordo entre a associação e a autarquia, celebrado há mais de um ano, estabelecer uma verba de 2.000 euros por mês. O problema é que o protocolo ainda não foi assinado devido a problemas burocráticos relacionados com o terreno onde está instalado o canil. O equipamento, recorde-se, foi construído ao abrigo das contrapartidas da instalação da fábrica de transformação de carnes da Sonae na zona industrial de Santarém, em terrenos que eram da asso-ciação.Os 250 contos por mês, fazendo contas na moeda antiga, são insuficientes para cobrir todas as despesas com o canil, mal chegando para a alimentação dos animais e para pagar ao tratador. A dívida da ASPA ascende a perto de dois mil euros (400 contos) e terá tendência a aumentar se o apoio camarário não for revisto.A escassez de dinheiro leva a que a maior parte dos cães que estão no canil não estejam vacinados e desparasitados convenientemente. A associação, com a ajuda gratuita de dois veterinários, está a tentar junto de vários laboratórios arranjar vacinas que estejam a acabar o prazo e que por isso já não sejam comercializadas, mas a receptividade não tem sido muita, pelo que a vacinação é feita essencialmente aos cachorros, que são mais susceptíveis às doenças. No início do mandato da actual direcção foram pedidos donativos a empresas e juntas de freguesia mas a receptividade foi quase nula. Para se ter uma ideia, das 28 freguesias do concelho de Santarém, apenas uma deu uma pequena ajuda. As outras 27 nem se dignaram responder, apesar de receberem o dinheiro das licenças passadas aos donos dos canídeos.Insignificante é também o valor resultante da cobrança das cotas. Apesar de ter mais de dois mil sócios, os pagantes são pouco mais de uma centena. As cotas podem ser pagas por transferência bancária mas a maior parte dos sócios ainda não aderiu a esse sistema de cobrança.Mais colaborantes têm sido os hipermercados da cidade, que têm ajudado com sacas de ração ou carne embalada prestes a terminar a validade. Em breve será assinado um protocolo com a fábrica de transformação de carne da Sonae, através da fundação Belmiro de Azevedo, que entregará ao canil os desperdícios de carne.

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