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De olho nos banhistas

Associação de Coruche zela pela segurança em piscinas e praias fluviais

São uma espécie de anjos da guarda dos banhistas de algumas praias fluviais e piscinas da região. Aos nadadores salvadores da Búzios não falta trabalho, muitas vezes devido à irresponsabilidade e teimosia de quem não acata os seus conselhos nem as mais elementares regras de segurança.

Edição de 25.08.2004 | Sociedade
Patrício Rebola dedica todo o tempo livre de que dispõe à Búzios, associação de nadadores salvadores sedeada em Coruche. Faz parte da direcção e, além disso, é coordenador da equipa de nadadores salvadores de que também faz parte. Pela mão já lhe passaram casos complicados, mas o pior é a teimosia dos banhistas que não aceitam os aconselhamentos de quem os quer proteger.Um trabalho de voluntariado que Patrício Rebola, ajudante de farmácia, desenvolve com gosto e algum sacrifício. Já enfrentou situações difíceis em que teve de fazer a reanimação dos sinistrados e uma delas não foi bem sucedida: “Durante dois ou três dias não pensamos noutra coisa. Depois, se tivermos a consciência de que fizemos tudo o que podíamos, acaba por passar”, diz.Muitas das vezes essas situações devem-se às “orelhas moucas” dos banhistas. “Custa muito andarmos um dia inteiro a avisar para não correrem em certos locais, como sucede nas piscinas, por exemplo, ou para não tomarem banho em locais não vigiados, e mais tarde vê-los magoarem-se ou sofrerem acidentes mais graves”, conta.Os nadadores-salvadores apenas podem dar conselhos. Quando o caso é grave recorrem às entidades policiais. “Mas para chamarmos a GNR ou a PSP é porque já aconteceram muitas coisas”.Patrício Rebola, de 27 anos, cumpriu o serviço na Marinha e, quando acabou, entrou para a Búzios. É amigo pessoal de um dos fundadores da associação, Alexandre Tadeia, e decidiu dar o seu contributo nesta actividade humanitária.As duas praias fluviais de Coruche, Agolada e Monte da Barca, registavam anualmente elevado número de mortes antes da associação ser criada e esse foi o principal motivo para um grupo de jovens coruchenses fundar a Búzios. O pontapé de saída foi dado após a realização de um curso de nadadores-salvadores ministrado por técnicos do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) a um grupo de escuteiros.O curso foi ministrado em 1994 e dois anos mais tarde surgiu a Búzios. Além das praias fluviais, os nadadores da associação fazem a vigilância das piscinas municipais de Santarém, Almeirim e Coruche e sempre que é pedido um plano de segurança para praias fluviais ou piscinas do distrito o ISN remete para a associação.Actualmente, a Búzios tem 74 sócios, 90 por cento dos quais são nadadores salvadores e os restantes socorristas. O trabalho de coordenação de todos estes associados, com idades entre os 18 e os 30 anos, é da responsabilidade de Patrício Rebola. “No Verão, durante o fim-de-semana precisamos de 18 pessoas. Sete delas fazem trabalho nas piscinas de Santarém, onde se verifica o maior número de acidentes porque é a mais frequentada”, adianta.Até ao início de Agosto nas piscinas de Santarém houve 74 acidentes, 10 a 15 por cento deles com alguma gravidade, tal como é normal verificar-se no total dos acidentes. Todos os casos, do mais pequeno arranhão ao afogamento, são registados pelos nadadores salvadores e socorristas para posterior análise.“Como somos responsáveis pela segurança, se há muitos acidentes idênticos nos mesmo locais é porque alguma coisa está mal e nesse caso é preciso corrigir”, esclarece. Esse trabalho também é da responsabilidade de Patrício Rebola e ao longo da época balnear são centenas de relatórios que o nadador salvador tem de analisar.Outras das dificuldades da associação é o recrutamento de novos nadadores salvadores. Para os cursos dados sob a responsabilidade do ISN aparecem sempre voluntários, mas nem todos têm as características exigidas pela Búzios: “Aproveitamos um ou dois e só um ano depois estão aptos a trabalhar. No primeiro ano tomam conhecimento dos principais locais de perigo tanto nas praias, como nas piscinas, principalmente na de Santarém”, continua.A este problema acresce a disponibilidade dos nadadores salvadores. Os turnos são de 10 horas e apesar dos 4,25 euros pagos à hora pela Búzios serem apetecíveis é difícil encontrar gente disponível.Desde que a Búzios existe verificaram-se apenas três casos de morte por afogamento. Dois deles porque os banhistas saíram da zona vigiada e outro provocado pelo rompimento de um barco de borracha. O fundo da embarcação rompeu-se e a pessoa não conseguiu voltar.A nível nacional só existe uma outra associação, sediada em Reguengos de Monsaraz, equiparada à Búzios. As restantes actuam nas praias marítimas.Margarida Trincão

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