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Moinhos da Pena ao abandono

Moinhos da Pena ao abandono

Investimento financiado por dinheiros comunitários de pouco serviu

O terceiro maior conjunto de moinhos de vento do país situa-se no concelho de Torres Novas. Os moinhos foram recuperados há cerca de 10 anos com fundos comunitários, visando o seu aproveitamento turístico, mas o vento não soprou de feição e a maioria encontra-se ao abandono.

Edição de 25.08.2004 | Sociedade
Uma cordilheira de moinhos brancos limita as freguesias torrejanas de Chancelaria e Assentiz. São doze moinhos, a maior parte recuperados no âmbito do programa Leader, através da Associação de Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte (ADIRN), em 1995. Nove anos depois apenas um dos moinhos é utilizado para turismo rural e um outro pode ser posto a funcionar.O projecto de recuperação dos moinhos da Pena foi financiado por fundos comunitários e recebeu por parte da Câmara Municipal de Torres Novas o fornecimento de alguma maquinaria e materiais. Um investimento que permitiu manter de pé o terceiro maior conjunto de moinhos de vento do país, mas cuja rentabilidade fica muito aquém do desejado.Sérgio Poupado Rodrigues, natural da Mata (Chancelaria), dono do único moinho que é utilizado como alojamento turístico foi um dos grandes impulsionadores do projecto. A pouco e pouco foi restaurado o moinho que tinha adquirido anos antes, até que decidiu apresentar um projecto à ADIRN que o ajudasse nesse trabalho.O investimento dos moinhos era também uma intenção do presidente da Junta de Freguesia da Chancelaria, Henrique Reis (PSD), e a situação evoluiu para a recuperação de todos os moinhos integrados nessa freguesia - sete no total. Os restantes cinco situam-se em Charruada, Assentiz. A Câmara de Torres Novas juntou-se ao processo e começaram os contactos com a ADIRN.“Tivemos de constituir uma sociedade”, conta Sérgio Poupado recordando a dificuldade que foi convencer os proprietários dos moinhos a integrarem-na. “Eram pessoas muito idosas que tinham receio de ficar sem os seus moinhos fechados há anos”.Depois de muitas reuniões em que participaram também o vice-presidente da câmara, Pedro Ferreira (PS), houve o consentimento dos proprietários. Mas aí surgiu novo problema. Inicialmente previa-se que seis moinhos fossem para turismo rural e um recuperado para o fim com que foi criado: a moagem de cereais.Não foi possível. Muito a custo, dois antigos moleiros concordaram que os seus moinhos pudessem ser recuperados para alojamento e os responsáveis da ADIRN acabaram por aceitar que no conjunto dos sete moinhos quatro continuassem com o seu complicado mecanismo de moagem e apenas três pudessem ser alugados para turismo. No entanto, nove anos depois o moinho de Sérgio Poupado é o único que é alugado. E pelo mapa de ocupação o rendimento acaba por ser interessante.“É pena que seja só o meu e que os outros comecem a ficar degradados”, lamenta Sérgio Poupado. Na maior parte dos casos os paus das velas estão partidos, as paredes a apresentarem sinais de degradação e as ervas daninhas crescem sem regras nos pequenos espaço em volta. Apenas um outro moinho, recuperado para moagem, pode ser posto a funcionar e como o seu dono já é também bastante idoso, Sérgio Poupado tem a chave do moinho e aprendeu a accioná-lo. “Quando vêm escolas ou há passeios de grupos já tem funcionado os outros estão fechados”, diz.Os contactos para aluguer são feitos directamente para Sérgio Poupado através da internet. Na página da Câmara Municipal de Torres Novas existe indicação desta estrutura turística como local de interesse e alojamento, mas não há qualquer folheto impresso que indique os moinhos e que possa ser fornecido aos visitantes quando se deslocam ao posto de turismo.Margarida Trincão
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