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Ser confundifo com um turco e levar com sacos de lixo na cabeça

Edição de 01.09.2004 | Aquelas férias...
Andar a passear e ter de fugir dos sacos de lixo que caem das janelas dos prédios não é bem o que se espera de umas férias, mas Orlando Ferreira diz que isso faz parte da experiência da descoberta de novos povos e culturas. Aconteceu em 1976, numa visita que fez à Turquia.Os países da zona do Mediterrâneo são os que mais dizem ao coordenador regional da Rodoviária do Tejo. “Ainda tenho no ouvido o som de Istambul, os cânticos entoados nas ruas da cidade”.O seu grande lema de férias é “em Roma sê romano”. Qual camaleão, adapta-se facilmente à vivência, à comida diferente e aos costumes muito próprios de cada local. É por isso que não lhe faz confusão passar horas numa fila de uma instituição bancária de Cabo Verde, para onde vai muitas vezes de férias com a família. O que se perde em tempo ganha-se em sabedoria. “Ouvir aquelas pessoas, ver como o sistema funciona, é enriquecedor”.Mas há coisas que, por muito que tente, não consegue tomar como normais. Uma vez, em Alexandria (Egipto), ele e a sua mulher decidiram não ficar em pousadas da juventude mas pernoitar numa pensão. Quando deram por ela tinham o quarto infestado de baratas grandes e vermelhas. Quando foi à recepção refilar, o funcionário não conseguiu perceber o porquê de tanta agitação. Afinal, eram apenas baratas...Desde muito jovem começou a andar pelo mundo. Mas é um viajante sui generis. Anda de mochila às costas mas viaja sempre de avião. “Acho que se perde imenso tempo nas viagens de autocarro e comboio”. Lembra-se da primeira vez que foi de férias com os pais. Alugaram dois quartos na Trafaria. “Tinha 13 anos mas ainda me lembro de andarmos com as malas às costas de um lado para o outro. Saímos de casa, em Campolide, de táxi, fomos até Belém para apanharmos o barco”.Outra coisa que não esqueceu foi do valente sopapo que o pai lhe deu enquanto pousavam junto a uma estátua com dois meninos, nas Caldas da Rainha. Tudo porque se lembrou de pôr o chapéu que trazia na cabeça de um deles...Andava já no Instituto Superior Técnico quando saiu do país. Na altura correspondia-se com uma amiga inglesa e decidiu ir passar uma semana a casa dos Jackson. Para não ficar mal visto perante a comunidade, antes da primeira visita a um pub pediu ao pai de Kerryn que lhe escrevesse num papel as bebidas que deveria pedir para si e para a amiga. E até se deu ao trabalho de escrever a sugestão, não fosse a pronúncia traí-lo. Hal pint kieg bitter (uma cerveja azeda) para ele e uma lagerand lime (limonada) para a anfitriã. Durante o tempo em que foi desportista (fez parte da equipa portuguesa de judo que participou nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972) viajou um pouco por toda a parte mas foi com a família que lhe aconteceram os episódios mais rocambolescos.Ainda se lembra do chorrilho de palavras azedas que levou do director da Turkish Air Lines à chegada ao aeroporto de Istambul. O senhor não gostou nada de ver interrompida a conversa que mantinha com uma loura jovem e vistosa por causa de umas bagagens perdidas e quando o viu a entrar pela sua sala mandou-o ir dar uma volta, em turco, claro.E foi a jovem loura e vistosa que teve de chamar o senhor à razão dizendo-lhe que aquele homem de tez queimada e bigode farfalhudo era o seu marido...

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