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A triste sina da casa amarela

A triste sina da casa amarela

Edifício recuperado com dinheiros públicos continua ao abandono

A casa amarela, em Torres Novas, continua sem qualquer utilidade, apesar de ali terem sido gastos mais de 200 mil contos há 12 anos. Inicialmente destinada a residência de estudantes, está desde há um par de anos apalavrada para pólo universitário. Mas certezas ninguém as tem. A não ser as que se relacionam com a degradação que tomou conta do espaço.

Edição de 01.09.2004 | Sociedade
Custou cerca de um milhão de euros (200 mil contos) há 12 anos, mas do investimento estatal não foi retirado qualquer proveito. A Casa Amarela, no Largo de Santo André, em Torres Novas, não teve até ao momento nenhuma utilidade e os sinais de degradação são cada vez maiores. O edifício foi concluído e esquecido. Os passeios nunca foram arranjados e as traseiras que dão para o rio Almonda raramente são limpas, a avaliar pelo espaço envolvente coberto por toda a sorte de lixo e imundície. As paredes apresentam infiltrações enquanto a tinta vai perdendo a cor e os vidros sujos confirmam o abandono deste investimento da Câmara de Torres Novas, financiado com dinheiros públicos.Os vizinhos do largo do Matadouro revoltam-se pelo desperdício de dinheiro gasto no edifício, que só os marginais têm utilizado. “Quase todas as noites há aí passagem de droga e gente a prostituir-se e às vezes dormem lá dentro. É uma vergonha”, dizem.À esquadra da PSP não chegou qualquer queixa escrita, segundo o comandante da esquadra local. Nuno Ponciano adianta, no entanto, que vai verificar o que se passa e comunicar à Câmara Municipal de Torres Novas.Os vizinhos afirmam que é frequente haver portas abertas, tal como acontecia em Maio do ano passado quando O MIRANTE publicou uma reportagem sobre a residência. Desta vez, porém, as portas e janelas dos pisos inferiores estavam encerradas, embora no segundo andar uma das janelas estivesse aberta.O objectivo da Câmara de Torres Novas passa por instalar na casa amarela um polo da Universidade Lusíada. No entanto, o processo desde há 3 anos que aguarda aprovação no Ministério da Educação, que entretanto, já conheceu diversos titulares.António Martins da Cruz, presidente da direcção da Cooperativa de Ensino da Universidade Lusíada, anunciou o projecto em Torres Novas, no final do anterior mandato autárquico. Chegaram a ser publicados anúncios nos jornais pedindo docentes para a Lusíada de Torres Novas, mas três anos depois tudo continua na mesma. Ou pior.A residência está mais degradada, a abertura de novos pólos universitários é mais restritiva e as certezas são cada vez menores. Margarida Sá Coutinho, secretária de António Martins da Cruz, disse a O MIRANTE que “Torres Novas continua interessada e isso é fundamental”. Mas desde o início do processo até agora houve grandes alterações que terão de ser analisadas. “Só a direcção da Lusíada se poderá pronunciar sobre o assunto”. Esclarecimento que não foi possível obter dado o período de férias.Margarida Trincão
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